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Veículo elétrico Рcarga tributária e falta de infraestrutura são entraves

Veículo elétrico Рcarga tributária e falta de infraestrutura são entraves

by 23 de março de 2015 0 comments

*Wilson Vieira

Ve√≠culos el√©trico, aut√īnomo e conectado s√£o grandes expectativas de ¬ďpopulariza√ß√£o¬Ē para um futuro ainda muito distante. Todos munidos de alta tecnologia que promete facilitar a vida do cidad√£o e contribuir para a sa√ļde do planeta.

Visto no mercado mundial como a melhor alternativa em efici√™ncia energ√©tica, o ve√≠culo el√©trico (VE) ainda est√° muito longe de chegar a um patamar minimamente aceit√°vel no Brasil para a ind√ļstria. Engana-se quem acha que esse √© um sonho poss√≠vel de ser concretizado com facilidade.

Isso porque ele ainda est√° envolto nas amarras da alta carga tribut√°ria e da falta de infraestrutura, fazendo com que o seu pre√ßo pese, e muito, no bolso de quem pretende adquirir um dos cobi√ßados exemplares. Um golpe contundente na expectativa de ¬ďpopulariza√ß√£o¬Ē.

Em 2014, foram adquiridas no Brasil pouco mais de 800 unidades. O ideal é chegar a 30 mil veículos vendidos por ano, praticamente o volume mensal do líder de vendas, o Fiat Palio. O alto custo impulsionado pela carga tributária chega a quatro vezes o valor praticado no país de origem do VE.

Preço alto não emplaca
“Enquanto n√£o tiver pre√ßo atraente, n√£o vai emplacar. A redu√ß√£o dos impostos e o incentivo do governo s√£o as chaves para popularizar o ve√≠culo el√©trico no Pa√≠s. A partir da√≠, teremos uma concorr√™ncia leal. √Č preciso ver o ve√≠culo el√©trico como um produto popular. Hoje, a taxa de imposto de um VE √© a mesma de um carro importado de luxo”, afirma o presidente da Associa√ß√£o Brasileira do Ve√≠culo El√©trico (ABVE), Ricardo Guggisberg.

Atualmente, sete estados brasileiros [Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Sul] oferecem isenção de IPVA para veículos elétricos. São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul mantêm alíquota diferenciada. Na capital paulista, quem anda de carro elétrico está livre do rodízio municipal desde maio do ano passado, quando foi sancionada lei que também devolve o percentual do IPVA que o governo estadual destina para o município.

Pressionar o governo federal para ter condi√ß√Ķes de aumentar a competitividade dos VEs √© uma das metas da ABVE para este ano. Recentemente, acordo firmado com a Caixa Econ√īmica Federal para abrir linhas de financiamentos de ve√≠culos el√©tricos foi considerado um importante passo para alavancar as vendas no Pa√≠s.

A Empresa de Pesquisa Energ√©tica, ligada ao Minist√©rio de Minas e Energia, estima que, at√© 2050, o Brasil ter√° 64,4 milh√Ķes de ve√≠culos h√≠bridos e 11,8 milh√Ķes de carros el√©tricos [apenas 9% da frota nacional]. Atualmente, Jap√£o e China, onde h√° maior concentra√ß√£o do mercado, respondem por 15% da frota mundial de carros el√©tricos, estimada em 7 milh√Ķes.

Postos de recarga
A abertura de novas linhas de crédito para facilitar a aquisição de carros elétricos cria expectativas para a instalação de mais eletropostos, que hoje não passam de 50.

Parceria firmada entre a rede Graal e CPFL com a ABVE j√° garantiu a amplia√ß√£o da rede de postos de recarga de carros el√©tricos. Existem unidades em shoppings e outros pontos comerciais. Cada posto de recarga tem custo m√©dio de R$ 80 mil. Uma esta√ß√£o dom√©stica custa R$ 4 mil. Para Guggisberg, a crise no setor energ√©tico n√£o deve ser enxergada como obst√°culo. “Um carro el√©trico consome menos do que um aparelho de ar-condicionado”, compara.

De acordo com a CPFL, o valor do quil√īmetro rodado de um carro a combust√£o, considerando o uso do etanol, √© de aproximadamente R$ 0,19. No ve√≠culo movido √† eletricidade, esse valor √© R$ 0,05.

*Wilson Vieira, autor da reportagem, é editor do Radar Nacional

 

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