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Sol, vento e água renovam a matriz energética dos data centers da América Latina

Sol, vento e água renovam a matriz energética dos data centers da América Latina

by 30 de agosto de 2016 0 comments

* Tiago Khouri

Apesar da crise, os investimentos em data centers e em telecomunica√ß√Ķes continuam a crescer na Am√©rica Latina. Este crescimento resulta da demanda por tr√°fego de dados e da migra√ß√£o de aplica√ß√Ķes para a nuvem. Neste contexto, a ado√ß√£o de energias renov√°veis ajuda as empresas a minimizar seu impacto ambiental e otimizar suas opera√ß√Ķes, reduzindo seu consumo energ√©tico, seus custos operacionais e protegendo suas utilidades em um momento de volatilidade nas vendas.

Globalmente, 2015 foi um ano no qual os investimentos em energia sustent√°vel alcan√ßaram, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance, um recorde de U$ 329 Bilh√Ķes. Na ind√ļstria de tecnologia, diversas empresas renomadas implementaram fontes de energia renov√°vel em suas opera√ß√Ķes. Um dos casos mais representativos √© da gigante mundial Google, que foi pioneira em realizar investimentos milion√°rios na constru√ß√£o de data centers ecol√≥gicos e eficientes. Em Taiwan, a empresa apostou na inclus√£o de um sistema de refrigera√ß√£o com √°gua do mar e √°gua reciclada.

A Microsoft, por sua vez, foi a primeira empresa a submergir um data center no oceano, a 10 metros de profundidade e a 1 Km de dist√Ęncia da costa da Calif√≥rnia, nos Estados Unidos. Esta iniciativa busca reduzir de forma eficiente o superaquecimento dos equipamentos. A agua refrigera o data center e aumenta e produtividade dos servidores, ao mesmo tempo em que reduz o consumo de energia.

A América Latina também teve um ano brilhante: em 2015, aumentou sua capacidade de geração de energia solar em 1,4GW, ou 166%. Em termos de capacidade de produção de energia eólica, a região contabiliza um aumento de 4,5GW ou 42%.

Potencial na regi√£o
A Am√©rica Latina apresenta muito potencial e condi√ß√Ķes clim√°ticas favor√°veis para o desenvolvimento de energias renov√°veis ‚Äď isso se explica devido √† proximidade com zonas h√≠dricas e aos altos √≠ndices de radia√ß√£o solar, o que faz com que alguns pa√≠ses da regi√£o sejam uma op√ß√£o natural para retornos de investimento muito atrativos. Segundo o estudo Climascopio, realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento em 2014, 6 pa√≠ses da regi√£o ficaram entre 12 primeiros colocados das 55 na√ß√Ķes emergentes mais atrativas para investimentos em energias renov√°veis.

O Chile, por exemplo, recebe investimentos massivos na √°rea de energia solar. Atualmente, est√° sendo constru√≠da uma planta fotovoltaica no Deserto de Atacama, chamada ‚ÄúEl Romero‚ÄĚ. Trata-se de um projeto ambicioso, previsto para entrar em opera√ß√£o em 2017 e que, quando pronto, ser√° o maior da Am√©rica Latina, com uma capacidade de gera√ß√£o de 493 GWh, o suficiente para abastecer 240.000 resid√™ncias. A Costa Rita, por outro lado, produz 98% de sua energia atrav√©s de fontes renov√°veis e pretende, em m√©dio ou longo prazo, converter-se na capital de data centers verdes do continente.

Se o clima da Am√©rica Latina √© t√£o favor√°vel, porque vemos t√£o poucos data centers e redes de telecomunica√ß√Ķes que usam energia renov√°vel? Parte do desafio est√° relacionado √†s regras e incentivos para o desenvolvimento e explora√ß√£o de uma matriz energ√©tica renov√°vel.

Na Am√©rica Latina, o debate sobre a integra√ß√£o da pol√≠tica energ√©tica e clim√°tica est√° em processo de consolida√ß√£o. Na Col√īmbia, por exemplo, est√£o sendo aprovados incentivos tribut√°rios para o uso deste tipo de fontes de energia. No Brasil, em 2015 foi aprovada a regulamenta√ß√£o de micro-gera√ß√£o, que permite que a energia solar excedente que n√£o tenha sido utilizada v√° para a rede el√©trica para poder ser usada por outros consumidores. Em troca desta economia gerada, ser√£o dados cr√©ditos futuros, por√©m as entidades que usam este benef√≠cio pagam impostos duplicados, na compra e na venda de energia. Na Argentina, o governo de Maur√≠cio Macri est√° abrindo um modelo de inclus√£o de energia limpa: o pa√≠s conta com um estado que usa 100% de energia solar e espera, em m√©dio prazo, que 8% da matriz energ√©tica nacional seja baseada em fontes renov√°veis. Estes desafios legais e fiscais precisam ser superados, e sem d√ļvida os governos tem o poder de potencializar a ado√ß√£o de energias renov√°veis ao resolver estes problemas.

Investimentos em novas fontes
Apesar dos desafios, algumas operadoras de data centers e de telecomunica√ß√Ķes est√£o investindo na renova√ß√£o de suas fontes de energia. Este √© o caso da Algar Tech, uma empresa brasileira que ganhou um pr√™mio do Data Center Dynamics por instalar um centro de computa√ß√£o em Minas Gerais com capacidade de gera√ß√£o de energia solar de 466MW/h por ano. Outro empreendimento significativo foi o da Equinix, que projetou seu novo data center SP3 em S√£o Paulo com tecnologias de ‚Äúfree cooling‚ÄĚ indireto evaporativo da Liebert e pain√©is solares, as quais lhe permitem atingir uma PUE inferior a 1,35. A Telef√īnica levou sua rede 3G para as bordas do Rio Amazonas, utilizando energia solar para energizar suas esta√ß√Ķes de r√°dio base.

No Chile, o Google fechou um acordo para come√ßar a abastecer seu data center com energia renov√°vel a partir de 2017. Outro caso importante em n√≠vel regional √© o da Data Center Consultores, que desenvolveu em seu data center na Costa Rica uma nova unidade de neg√≥cios especializada na otimiza√ß√£o energ√©tica e infraestrutura com solu√ß√Ķes de auto gera√ß√£o.

Em termos econ√īmicos, o uso de energias limpas nos data centers tem um impacto consider√°vel. De acordo com pesquisas realizadas pelo Global Energy Observatory, um data center de m√©dio porte consome cerca de 500 quilowatts-hora. Este consumo representa um custo de aproximadamente U$ 438.000 ao ano e emiss√Ķes de CO2 ao redor de 2.190 toneladas. A implementa√ß√£o de estruturas que fa√ßam uso de energias renov√°veis geraria uma economia de 15% no consumo total (cerca de U$ 65.700 ao ano) e uma redu√ß√£o de emiss√Ķes de aproximadamente 328,5 toneladas de CO2.

Em resumo, os segmentos de data centers e de telecomunica√ß√Ķes se encontram em expans√£o na Am√©rica Latina, e os investimentos em energia verde tamb√©m est√£o crescendo em um ritmo acelerado. Estes segmentos claramente t√™m tecnologias complementares e o retorno dos investimentos ser√£o mais r√°pidos na regi√£o, onde o clima √© um dos principais aliados. √Č claro que o desenvolvimento de novas tecnologias de efici√™ncia energ√©tica vem acompanhado de importantes desafios, e os avan√ßos na regulamenta√ß√£o e incentivos ainda est√£o em processo de amadurecimento na Am√©rica Latina. A maioria dos pa√≠ses, por√©m, est√° indo na dire√ß√£o certa. Apesar de todos os desafios, a Am√©rica Latina tem todos os ingredientes necess√°rios para se tornar uma regi√£o l√≠der em efici√™ncia energ√©tica de infraestrutura de TI e de telecomunica√ß√Ķes.

* Diretor de Marketing e Planejamento da Emerson Network Power América Latina

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