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Sincericídio Corporativo

Sincericídio Corporativo

by 9 de junho de 2017 0 comments

* Por Raul Cesar

Meu pai, um homem de 80 anos que construiu a sua careira com suor e muito talento. Como diretor nacional de vendas de um grande laborat√≥rio, ele teve a oportunidade de fazer a gest√£o de v√°rias pessoas e dentre elas promover para cargos de gest√£o. E dentre v√°rias conversas que eu tenho a oportunidade de ter, eu absorvo ideias e metodologias. Em um dessas conversas, ele me contou que precisou resolver um problema junto a sua diretoria quando ainda ele era gerente nacional. Nessa reuni√£o ele estava certo sobre a resolu√ß√£o do problema que habitava a reuni√£o, no entanto, ele n√£o quis confrontar seus superiores, mesmo tendo a raz√£o. A frase que ele usou para explicar a atitude que teve foi “√© perigoso ter raz√£o na hora errada”.

Quando ele me disse essa frase, imediatamente soou um alarme na minha cabe√ßa: “como assim √© perigoso? Afinal, voc√™ tem raz√£o e tem a solu√ß√£o do problema, ou seja, voc√™ est√° imune. Qual tipo de argumento algu√©m poderia fazer para desbancar se voc√™ realmente tiver raz√£o?”. No entanto, o que eu n√£o havia compreendido √© que, o problema n√£o √© em ter raz√£o, mas no momento e na forma de expressar esse sentimento.

Seguindo nessa reflex√£o, recentemente tive uma reuni√£o com um grande cliente a fim de otimizar a comunica√ß√£o interna da empresa. Na conversa, sabiamente o gestor de TI disse que o preocupava oferecer uma solu√ß√£o aos seus colabores que oferecesse voz ativa dentro da companhia. Logo pensei, “Uau, como assim? Voc√™ n√£o quer que seus colaboradores sejam ouvidos?”. Claro que ele quer, no entanto, muitos dos colaboradores n√£o possuem maturidade para uma ferramenta com esse poder. Quando voc√™ conquista o direito de ser ouvido, automaticamente voc√™ precisa desenvolver um senso de responsabilidade. O que voc√™ diz e realiza, tem impacto direto e indireto na sua vida e em sua volta. Entre a dist√Ęncia do que voc√™ pensa e fala, √© necess√°rio um ped√°gio chamado discernimento.

Entender que, se a forma que você vai falar ofenderá alguém, verificar se o momento é o mais adequado e se as pessoas são realmente responsáveis por ouvir o que você tem a dizer. Se você não conseguir entender ou perceber algum desses itens, lembre-se do pedágio, contenha-se. Dessa mesma forma, a ferramenta que você utiliza para se comunicar também tem impacto, seja positivo ou/e negativo. Segundo o Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal, o significado do que falamos representa apenas 7% da nossa capacidade de se expressar. 38% da capacidade de dizer o que realmente queremos está no tom de voz que usamos e 55% na expressão facial ou do nosso corpo. Ou seja, significa que, sempre que você enviar um e-mail para falar de algum assunto sério ou postar alguma informação na sua rede social, você está utilizando apenas 7% do seu potencial comunicativo. A chance de as pessoas interpretarem a sua informação de diversas maneiras é muito alta.

No café
Grandes corpora√ß√Ķes est√£o criando ambientes de conflito, justamente para n√£o permitir que a cultura seja do “√© melhor n√£o ouvirmos isso”, afinal isso traz uma falsa sensa√ß√£o de que est√° tudo bem, no entanto, quando n√£o est√°. √Č comum encontrarmos colaboradores que convivem em ambientes de trabalho que poderiam melhorar com um simples ato, no entanto, n√£o existe canal por onde esse colaborador possa se expressar para ajudar na melhora. Ent√£o, esse funcion√°rio vira um “her√≥i de corredor”, aquele que no elevador ou na sala do caf√© √© considerado o grande potencial de agente de mudan√ßa. Ele tem a opini√£o e solu√ß√£o para tudo e em sua grande maioria, discorda da diretoria e dos seus l√≠deres.

Tornando influenciador, centro das aten√ß√Ķes em reuni√Ķes informais, happy hours e em corredores pela empresa. E torna-se um influenciador negativo, jogando contra a empresa, pelo motivo de n√£o estar em um ambiente de discuss√£o produtiva. Com esse prop√≥sito, uma rede social corporativa (leia-se empresarial) agiliza e incentiva a troca de informa√ß√Ķes, no entanto, para assuntos s√©rios como por exemplo: sugest√£o de melhorias, cr√≠ticas ou/e feedbacks.

Ferramentas espec√≠ficas e recursos como blog de ideias e f√≥runs s√£o de grande import√Ęncia para controlar conflitos. Fomentar discuss√Ķes sadias, direcionar respons√°veis por cr√≠ticas ou sugest√Ķes, s√£o maneiras de comedir conflitos. Como exemplo do meu pai, temos que ser l√≠deres e ter discernimento para conduzir informa√ß√Ķes, de maneira respons√°vel. Isso se aplica em qualquer √°rea e em qualquer lugar. N√£o se esque√ßa, voc√™ √© l√≠der de voc√™ mesmo.

Sales Specialist da startup curitibana Winov

 

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