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Os líderes empresariais entenderam o impacto da inteligência artificial?

Os líderes empresariais entenderam o impacto da inteligência artificial?

by 6 de julho de 2017 0 comments

* Por K. Ananth Krishnan

√Č dif√≠cil abrir um jornal ou revista sem ler algo sobre Intelig√™ncia Artificial (AI, na sigla em ingl√™s). As discuss√Ķes incluem desde quem tem preocupa√ß√Ķes sobre quest√Ķes como emprego e seguran√ßa at√© aqueles que acham que a AI promete grandes saltos de produtividade e, em muitos casos, a solu√ß√£o para alguns dos desafios mais dif√≠ceis enfrentados pelo mundo, como as altera√ß√Ķes clim√°ticas.

A realidade do impacto da AI √©, no entanto, um pouco diferente. Como uma das principais empresas de consultoria de tecnologia do mundo, n√≥s da Tata Consultancy Service (TCS) estamos profundamente interessados no impacto dessa tecnologia emergente e temos feito grandes investimentos para compreender o que est√° em jogo ‚ÄĒ as oportunidades e os desafios, os l√≠deres e os seguidores.

Algumas empresas est√£o puxando a fila e fazendo grandes investimentos em TI. A gigante da tecnologia, Apple est√° realizando apostas por meio da Emotient, sua recente aquisi√ß√£o de AI para reconhecimento facial, com o prop√≥sito de melhorar a rea√ß√£o a an√ļncios. A Shell, outra gigante no setor de petr√≥leo e g√°s, lan√ßou um assistente virtual online para responder √†s d√ļvidas dos clientes. Outras empresas est√£o “esperando para ver” enquanto avaliam onde ter√£o o maior retorno. De qualquer forma, nosso Estudo de Tend√™ncias Globais, para o qual foram entrevistados quase mil dos maiores tomadores de decis√£o em todo o mundo, de treze setores industriais diferentes, descobriu que h√° uma cren√ßa avassaladora na AI.

Mais de quatro em cada cinco empresas (87%) encaram a AI como “essencial”, e quase metade a veem como uma tecnologia “transformadora”. Isso foi especialmente declarado na Europa e na Am√©rica do Norte, regi√Ķes que t√™m sido l√≠deres no investimento nessa √°rea nos √ļltimos anos, com o gasto m√©dio atingindo 73 milh√Ķes e 80 milh√Ķes de d√≥lares na Europa e nos EUA, respectivamente.

Os compromissos financeiros com a AI devem crescer consideravelmente, com 7% dos l√≠deres empresariais que planejavam investir, no m√≠nimo, 250 milh√Ķes de d√≥lares em 2016 e mais outros 2% j√° destinando 1 bilh√£o de d√≥lares √† AI por volta de 2020. Esse apetite pelo investimento em AI e a aprecia√ß√£o de seu impacto t√™m uma influ√™ncia importante sobre as futuras decis√Ķes de neg√≥cios em quatro √°reas principais:

Em primeiro lugar, as empresas que investirem agora obterão uma vantagem. Os líderes em AI que estão fazendo os maiores compromissos têm potencial para ultrapassar os demais, tamanho o impacto transformador dessa tecnologia.

Isso √© importante porque muitos acreditam que estamos em um ponto de inflex√£o para a tecnologia, que come√ßar√° muito rapidamente a afetar a forma como as coisas s√£o feitas, bem como a produtividade e a efici√™ncia das organiza√ß√Ķes que fizeram os investimentos. A vantagem comparativa ser√° aguda.

O impacto
Em segundo lugar, embora as empresas reconhe√ßam o valor, ainda h√° uma grande falta de compreens√£o sobre onde a AI est√° tendo o maior impacto e alguma confus√£o sobre onde investir. Nosso estudo descobriu que o usu√°rio mais frequente da AI, atualmente, √© o departamento de TI, com mais de dois ter√ßos (68%) das empresas usando a AI nessa √°rea. No entanto, quando se perguntou sobre previs√Ķes futuras, os l√≠deres empresariais viram crescimento em quase todos os setores de uma opera√ß√£o comercial. At√© 2020, as empresas preveem que o impacto da AI se expandir√° em propor√ß√Ķes iguais para √°reas como pesquisa e desenvolvimento, produ√ß√£o, opera√ß√Ķes corporativas, planejamento estrat√©gico, recursos humanos, distribui√ß√£o, compras e departamentos jur√≠dicos.

A amplitude do impacto, ao que parece, não deixará quase nenhuma área operacional intocada. Isso representa, ao mesmo tempo, uma oportunidade enorme e um assustador processo de tomada de decisão para os líderes empresariais. Entretanto, uma coisa está clara: a previsão é de que os níveis de investimento vão decolar e ficar parado não é uma opção.

Em terceiro lugar, nosso estudo aponta para o potencial de consequ√™ncias n√£o intencionais igualmente importantes que os l√≠deres e a sociedade em geral precisar√£o enfrentar e resolver. A funda√ß√£o da Parceria de AI (em ingl√™s, ‚ÄėAI Partnership‚Äô) no in√≠cio deste ano – uma colabora√ß√£o entre gigantes da tecnologia como Facebook, IBM, Google, Amazon e Microsoft, dedicada ao avan√ßo da compreens√£o p√ļblica sobre o setor e √† elabora√ß√£o de normas para futuros pesquisadores seguirem – demonstra o grau de seriedade com que a comunidade de tecnologia est√° encarando isso.

Todavia, enquanto o setor de tecnologia est√° fazendo avan√ßos positivos para construir a compreens√£o e criar quadros de colabora√ß√£o sobre quest√Ķes como a √©tica das tecnologias cognitivas, √© a pr√≥pria comunidade de neg√≥cios que precisa correr atr√°s.

Talvez uma das maiores preocupa√ß√Ķes seja o impacto que a AI poderia ter sobre os empregos, no entanto, o estudo da TCS aponta que esse receio pode ser exagerado. Por exemplo, entrevistamos uma s√©rie de empresas em nosso estudo, incluindo a Associated Press, que usou a AI para automatizar a reda√ß√£o de mais de tr√™s mil artigos curtos sobre divulga√ß√£o de resultados trimestrais. A rede de not√≠cias n√£o perdeu nenhum posto de trabalho. Em vez disso, seu sistema liberou a equipe para trabalhar em artigos mais interessantes e reflexivos, de posse de conhecimentos mais profundos. Al√©m disso, novos postos de trabalho foram criados para gerenciar a tecnologia de AI e manter os dados limpos.

Vis√£o e receios
Seria hipocrisia afirmar que n√£o h√° quest√Ķes importantes a resolver, especialmente no que diz respeito ao impacto sobre os empregos. Mas nosso estudo parece indicar uma avalia√ß√£o relativamente otimista: os l√≠deres empresariais identificam uma influ√™ncia positiva, com maior gera√ß√£o de valor e fun√ß√Ķes mais envolventes, al√©m de postos de trabalho inteiramente novos. N√£o podemos ser complacentes, mas as expectativas dos l√≠deres empresariais reveladas em nosso estudo rebatem alguns dos pressupostos negativos que as pessoas t√™m sobre essa √°rea.

A quarta √°rea em que a AI possui um grande impacto √© a maneira como as pr√≥prias fun√ß√Ķes de TI operam. A AI √© apenas uma entre as muitas √°reas da tecnologia que est√£o transformando os neg√≥cios ‚ÄĒ desde a Internet das Coisas at√© o Big Data e os aplicativos m√≥veis. Trabalhando com organiza√ß√Ķes de todos os tamanhos vemos cada vez mais a necessidade de encontrar uma maneira de integrar essas partes m√≥veis. Apesar de n√£o haver uma solu√ß√£o f√°cil, tenho a firme convic√ß√£o que uma boa parte da resposta est√° na cria√ß√£o de um n√ļcleo digital robusto, com as bases a partir das quais solu√ß√Ķes digitais e aplica√ß√Ķes possam ser constru√≠das.

Isso inclui tudo: desde sistemas prontos para um mundo digital at√© aplica√ß√Ķes de √ļltima gera√ß√£o, e desde uma abordagem que prioriza a nuvem at√© uma s√≥lida seguran√ßa. Trata-se de igualmente preparar o local de trabalho e assegurar que a organiza√ß√£o conte com as pessoas e habilidades certas.

Todos n√≥s temos a responsabilidade de pensar sobre as oportunidades e encontrar solu√ß√Ķes para os desafios. De minha parte, eu acredito que todos n√≥s teremos grandes ganhos no futuro se abra√ßarmos esse novo paradigma da maneira certa.

* K. Ananth Krishnan é executive vice president and chief Technology Officer da Tata Consultancy Services (TCS)

 

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