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O que é preciso para as smart cities decolarem em 2019

O que é preciso para as smart cities decolarem em 2019

by 24 de janeiro de 2019 0 comments

por Morné Erasmus*

As cidades inteligentes mudarão a vida das pessoas e as formas de trabalho. Mas para que isso aconteça é necessário investir em infraestrutura de conectividade

As chamadas cidades inteligentes certamente tornarão as vidas de seus moradores melhores e seus governos mais eficientes. Desde segurança, conforto e até geração de receita, os recursos das smart cities irão mudar o modo como as cidades funcionam, o estilo de vida dos cidadãos e as formas de trabalho.

Mas para que isso tudo se torne realidade é necessária a conectividade – moradores, veículos, sistemas e aplicações devem estar online – e a infraestrutura de fibra óptica tem um papel fundamental nessa equação.

Listamos a seguir três aspectos que serão essenciais para a disseminação da infraestrutura de cidades inteligentes em 2019:

Planejamento para longo prazo
As empresas tradicionalmente implementam aplicações específicas, como câmeras de monitoramento, iluminação inteligente e sensores de tráfego. Nos próximos meses veremos companhias com uma visão mais ampla, com foco na construção de uma infraestrutura básica para suporte das aplicações de cidades inteligentes.

Isso porque uma metrópole que instala câmeras de segurança básicas em postes de luz, por exemplo, mas ao mesmo tempo não adota um sistema de conectividade de fibra que habilita a instalação de small cells nesses postes ou mesmo infraestrutura para reconhecimento facial para as câmeras, terá que fazer em pouco anos (ou mesmo meses) um upgrade em sua rede de postes de iluminação. Isso significa novas obras, com um processo complicado e caro.

Para evitar a necessidade de uma atualização nas redes no futuro, os gestores urbanos estão se atualizando quanto a novas tecnologias e possibilidades, com a consulta a especialistas em Internet das coisas e em conectividade de redes, para desenvolver planos de longo prazo.

Em lugares como Estocolmo, na Suécia, assim como Chattanooga e Lincoln, nos Estados Unidos, foram construídas redes de fibra de alta velocidade em volta das cidades com largura de banda suficiente para suportar os novos equipamentos e aplicações de Internet das coisas que virão no futuro. De maneira geral, conectividade de dados está se tornando uma nova “infraestrutura básica” nas cidades – algo essencial para viabilizar negócios, e muitas cidades já reconhecem essa necessidade.

A conectividade dentro das casas e nos negócios é uma vantagem competitiva para as cidades, e elas estão correndo para a adotá-la.

Financiamento criativo
Assim como água, gás e eletricidade, as cidades nem sempre entregam esses serviços, mas possibilitam a construção da infraestrutura básica para tal entrega. Estamos começando a ver mais projetos que são financiados com parcerias público-privadas.

Na Europa e em vários lugares ao redor do planeta, governos estão fornecendo financiamento para a construção de grandes redes de fibra.

Na América do Norte, provedores de serviços, desenvolvedores e concessionárias trazem melhorias à infraestrutura de conexão urbana, enquanto as cidades fazem seu papel e facilitam e incentivam suas construções.

As concessionárias de energia elétrica estão em uma posição única no desenvolvimento de infraestrutura de fibra, pois já possuem os direitos de transmissão e também têm os postes que fazem todas as ligações entre os domicílios, além de todo o cabeamento subterrâneo que pode acomodar as novas redes de fibra.

Portanto esses provedores podem disponibilizar fibra óptica com maior rapidez e menor custo. Cidades na América do Norte estão financiando ou fazendo parcerias com empresas locais responsáveis pelo fornecimento de energia para a construção da chamada Middle Mile (segmento do sistema de fibra que conecta a rede central à estrutura local de fibra). Esse tipo de rede é mais comum nos centros urbanos por oferecer menos risco, custo reduzido de implementação e capacidade de destinar a fibra excedente para provedores privados.

Em muitos outros casos, as cidades norte-americanas também estão construindo a chamada Last Mile, trecho que conecta os consumidores, frequentemente em parceria com empresas locais de energia elétrica.

Provedores também estão construindo suas redes de Última Milha, e o acesso a redes 5G fixas certamente desempenhará um papel crucial e cada vez maior na entrega da conectividade para eles – a Verizon já trouxe ao mercado acessos experimentais de 5G wireless em algumas cidades em 2018.

Convergência de redes
No passado, provedores de serviços construíam redes com fio e sem fio separadas. A infraestrutura wireless está se tornando cada vez mais centralizada, então faz muito mais sentido agora convergir todo o tráfego de backhaul wireless na mesma fibra utilizada pelos serviços cabeados.

O processo de convergência da rede de é primeiramente guiado pelo desenvolvimento de tecnologias capacitadoras, demanda do usuário e capacidade dos provedores de serviços. As grandes operadoras estabelecidas possuem operações com e sem fio, então a convergência para uma única rede e a maximização da utilização de ativos fazem muito sentido e serão um impulso para 2019.

Exemplos reais podem ser vistos onde as redes FTTH (do inglês fiber-to-the-home) foram construídas e, meses depois, a mesma equipe teve que desenterrar a célula para adicionar fibra para a mesma rede.

Isso quer dizer que a maioria das cidades incorporará redes de diferentes provedores em uma infraestrutura geral. Mas como elas devem conectar todas essas redes? O primeiro passo é colocar toda essa fibra de diferentes fornecedores na mesma vala e no mesmo conduíte.

Algumas redes precisam ser privadas (para segurança pública, por exemplo), mas as cidades podem pelo menos garantir que todas as redes usam o mesmo sistema de cabeamento e até mesmo o bundle de fibra. Quando o sistema de rodovias interestaduais foi construído nos EUA, não havia vias separadas apenas para caminhões, carros e motocicletas. Não faz sentido essa separação quando o assunto são as redes de fibras.

As aplicações criam a necessidade de maior largura de banda: estacionamento, medidores inteligentes, câmeras de segurança, gestão de tráfego, densificação de pequenas células 5G, gestão do lixo e a coordenação de departamentos de emergência são apenas alguns exemplos.

É fácil ver que uma simples rede convergente seria um modo rentável de suporte dessas aplicações. Quando uma cidade coloca uma rede de fibra em um poste de luz, por exemplo, esses postes possuem a estrutura para receber iluminação inteligente, câmeras de segurança e small cells para densificação de redes 5G.

O advento das redes 5G nos próximos anos impulsionará a implementação das redes de fibra. Essa tecnologia não trará apenas maiores velocidades, mas também implementações de small cells muito mais densas por causa das limitações de distância com tecnologia de ondas milimétricas e aplicações de latência ultrabaixa na borda.

Com a oferta da estrutura adequada de postes e facilitando a permissão, uma cidade pode acelerar significativamente o aparecimento de redes de fibra estruturadas nos postes para o uso de concessionárias ou provedores de serviços.

Grandes empresas como Netflix e Uber só cresceram por que a infraestrutura de fibra e de rede sem fio 4G estavam disponíveis para suportar seus serviços. Com a melhoria na largura de banda e cobertura, o 5G suportará inovações similares, e contará com a fibra para conectar as redes metropolitanas.

As cidades estão implementando aplicações de smart cities pois elas melhoram a eficiência, reduzem custos e geram novos pontos de receita e, mais importante, melhoram a qualidade de vida dos moradores. Com planejamento, abordagens criativas para financiamento e convergência de redes de fibras as cidades certamente estarão no caminho certo para se tornarem mais inteligentes em 2019.

*Morné Erasmus é diretor da área de desenvolvimento de negócios de smart cities da CommScope

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