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Nativos Digitais e a Transformação Digital

Nativos Digitais e a Transformação Digital

by 17 de dezembro de 2018 0 comments

Por Bruno Rondani *

Vivemos talvez a primeira gera√ß√£o em que os netos ensinam os av√≥s. Como nativos digitais, essas crian√ßas absorvem e incorporam inova√ß√Ķes que posteriormente ser√£o transferidas no √Ęmbito familiar. Algo similar vem ocorrendo no mercado: a transforma√ß√£o digital tornou-se um assunto obrigat√≥rio em quase toda grande empresa, dos mais diferentes setores. Ao mesmo tempo, temos uma gera√ß√£o de startups nativas digitais buscando ocupar escala e posi√ß√£o de lideran√ßa nos espa√ßos deixados pelo mercado tradicional.

As startups, em geral, nascem com o objetivo de resolver um problema relevante de mercado e criar um modelo de negócio disruptivo e escalável. Empresas estabelecidas muitas vezes procuram, como parte do seu processo de transformação digital, oportunidades para atualizar ou melhorar processos ou modelo de negócios existentes.

O dilema do inovador é decidir quando implementar uma inovação. Para a startup, não pode ser muito antes de o mercado estar pronto para recebê-la, pois pode ficar sem recursos e morrer no meio do caminho. Também não pode ser muito tempo depois, quando o mercado já estiver sendo explorado por concorrentes que podem estabelecer vantagens de posicionamento e criar barreiras para novos entrantes.

Para a grande empresa, a maior d√ļvida estrat√©gica √© quando a inova√ß√£o potencial se torna relevante o suficiente para justificar a substitui√ß√£o de um processo ou um modelo consolidado que ela j√° tornou eficiente com melhorias cont√≠nuas ao longo dos anos.

Hoje vemos serviços digitais originados por startups ou por grandes grupos tradicionais convivendo e competindo no mercado. Por exemplo, o ZAP Viva Real, antigo Zap Imóveis, nasceu como iniciativa do Grupo Globo para ser uma plataforma de aluguel de imóveis residenciais, e se uniu à startup Viva Real. Por outro lado, temos o QuintoAndar, um nativo digital que acaba de se tornar um unicórnio com o aporte da empresa de investimentos General Atlantic.

No mercado de fintechs observamos o Nubank, um nativo digital se tornando refer√™ncia em usabilidade para servi√ßos financeiros, acelerando a movimenta√ß√£o de bancos como Ita√ļ e Bradesco, em r√°pido processo de transforma√ß√£o digital.

No setor de transporte de cargas, a CargoX, empresa nativa digital que conecta os caminhoneiros com quem precisa desse tipo de serviço, une tecnologia, inovação e big data no transporte de carga, enquanto que grandes empresas líderes do setor, como a TNT, passaram por um rápido processo de transformação para também oferecer projetos atualizados digitalmente a seus clientes.

Duas décadas atrás, a disputa que prevaleceu entre o modelo de inovação corporativo e o modelo de inovação empreendedor era a aposta em pesquisa e desenvolvimento (P&D), por parte das grandes empresas, e no Venture Capital (VC), por parte dos empreendedores. Quem tinha recurso para fazer P&D em escala mantinha a posição de liderança em inovação e um grupo muito seleto de empreendedores tinha acesso a investimentos de VC. Hoje, o jogo da inovação está completamente mudado e muito mais democratizado. Os modelos de inovação corporativa e empreendedora utilizam métodos similares, além de ser cada vez mais comum startups se aliando a grandes empresas e vice-versa.

As grandes companhias t√™m aprendido rapidamente a se comportar como startups e a se relacionar com essas comunidades. As novatas t√™m aprendido a inovar em parceria com organiza√ß√Ķes estabelecidas, de forma a acelerar seu crescimento. M√©dias empresas, antes com pouco papel no desenvolvimento de inova√ß√£o disruptiva, passaram a fazer cada vez mais parte do jogo estabelecendo parcerias com startups inclusive de forma mais √°gil.

Universidades no mundo todo, antes focadas na transfer√™ncia de tecnologias, come√ßaram a trabalhar de maneira muito mais diversa, como verdadeiros motores de redes de inova√ß√£o. Pol√≠ticas p√ļblicas, antes mais orientadas a est√≠mulo de investimento em P&D e VC, passaram a enfatizar estrat√©gias de fomento a redes de inova√ß√£o. Passamos a viver um ambiente onde a inova√ß√£o acontece cada vez mais em rede e de forma distribu√≠da.

Em pouco tempo não será mais o neto ensinando os avós, mas todos aprendendo juntos!

* Bruno Rondani é fundador e CEO do movimento 100 Open Startups e professor na FIA

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