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Internet: ser justo com o usuário é o melhor caminho

Internet: ser justo com o usuário é o melhor caminho

by 20 de outubro de 2016 0 comments

* Por Pedro Quatrone

Um ranking que classifica os pa√≠ses conforme a conectividade deles √† internet coloca o Brasil numa posi√ß√£o muito desconfort√°vel: somos a 78¬™ na√ß√£o do mundo em disponibilidade de conex√Ķes, temos 58% da popula√ß√£o conectada e estamos atr√°s de lugares como Trinidad e Tobago, a Polin√©sia Francesa e a Groenl√Ęndia. Apesar disso, 86 milh√Ķes de brasileiros ainda n√£o t√™m conseguem acessar √† rede mundial de dispositivos (a popula√ß√£o brasileira √© de 204 milh√Ķes de pessoas). Se o ordenamento for feito ao analisar uma das principais caracter√≠sticas das conex√Ķes, a velocidade, ca√≠mos dez posi√ß√Ķes na tabela e vamos para a 88¬™ coloca√ß√£o. Navegamos a uma m√©dia de 4,1 Mbps ‚ÄĒ um pouco atr√°s do l√≠der da Am√©rica Latina, o Uruguai, cujos dados fluem a cerca 6,2 Mbps. Melhor nem comparar com os outros cantos do mundo pra n√£o se impressionar com os 26,7 Mbps da l√≠der mundial Coreia do Sul.

O usuário que nos lê agora pode inclusive fazer isso por meio de uma conexão que acha que poderia ser melhor. Talvez esteja cansado de quedas constantes, taxa de transferência menor do que o contratado e, se usar um pacote de dados móveis, não aguente mais ter que controlar o que consome na rede para não acabar com a franquia e ter a velocidade ainda mais reduzida. O que ele pode fazer? Trocar de operadora? Talvez nem isso resolva, dependendo da empresa para a qual ele escolha migrar.

O verdadeiro oligop√≥lio nas comunica√ß√Ķes do Brasil faz com que 85% da banda larga brasileira esteja sob o controle de apenas tr√™s grupos empresariais. Neste cen√°rio, n√£o √© poss√≠vel crer em concorr√™ncia nem em troca de operadora como forma de protesto: o lobby do setor alinha as estrat√©gias, o planejamento e os pre√ßos. Mais do que isso: elas decidem onde v√£o estar presentes ‚ÄĒ e principalmente quais os mercados n√£o querem explorar.

Assim, os provedores encontram um cen√°rio onde nem os tr√™s grandes players (Claro, Oi e Vivo) est√£o em condi√ß√Ķes de fazer grandes investimentos para expans√£o ou melhorar o n√≠vel de qualidade dos servi√ßos. √Č fato que os ISPs t√™m o maior percentual da base de clientes em compara√ß√£o com as operadoras, tendo em vista as √°reas onde elas n√£o t√™m grande atua√ß√£o e a internet j√° ser tratada como um dos principais bens de consumo familiar.

Nesse contexto, a surpresa √© que mesmo sem acesso √†s linhas de cr√©dito p√ļblicas como as grandes operadoras, os provedores t√™m crescido ‚ÄĒ n√£o s√≥ na base de clientes, mas tamb√©m na velocidade das conex√Ķes oferecidas, sem franquia de dados e com recursos pr√≥prios. As 2.200 empresas que fazem parte dessa categoria no pa√≠s somaram no final do primeiro trimestre do ano 2,4 milh√Ķes de acessos. Com um crescimento de 5,5% em rela√ß√£o ao ano anterior, elas ajudaram o pa√≠s a sair da desacelera√ß√£o pela qual passou o segmento e contribu√≠ram para o acr√©scimo de 126,8 mil acessos. Isso mostra que ser justo com o usu√°rio √© o melhor caminho.

A√≠ est√° um dos segredos para o pequeno provedor de internet que deseja aumentar a base de clientes, mas √†s vezes n√£o encontra f√īlego para competir com os players tradicionais. O ideal n√£o √© disputar usu√°rios em √°reas onde eles (grandes grupos) j√° est√£o estabelecidos, mas explorar territ√≥rios com potencial de rentabilidade real. Espa√ßo n√£o falta: dados da Associa√ß√£o Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunica√ß√Ķes (Abrint) mostram que s√≥ 5% das cidades brasileiras concentram 77% dos acessos de banda larga. Dos 95% que sobram, 80% deles s√£o mercados ideais para os provedores regionais, pois s√£o lugares que t√™m bastante demanda para os ISPs e n√£o est√£o saturados pelas grandes corpora√ß√Ķes.

Qualidade e custo baixo
O caminho para que voc√™ comece a promover e desfrutar da interioriza√ß√£o do acesso √† internet passa, portanto, pela constru√ß√£o de uma infraestrutura de qualidade e custo baixo. A mais adequada √© a fibra √≥ptica (a tecnologia ‚Äú√† prova do futuro‚ÄĚ), respaldada pelo bom custo-benef√≠cio, manuten√ß√£o de baixo impacto financeiro e escalabilidade da tecnologia.

Neste sentido, fazendo um bom projeto de rede focado na expans√£o segura e otimizando seus recursos, a Cianet, que desenvolve solu√ß√Ķes para os ISPs de v√°rias partes do pa√≠s, ajudou a MOB Telecom a migrar do r√°dio e do HPNA para as tecnologias GEPON e GPON. O provedor opera em oito estados do Nordeste, viu a demanda crescer e adaptou a infraestrutura √† necessidade dos clientes. O caminho tamb√©m foi trilhado por outras empresas: a ETECC NET abastece mais de 4 mil clientes de Itanha√©m, em S√£o Paulo com velocidade e estabilidade baseadas na fibra √≥ptica; e a Vianova Telecom, que opera no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e migrou do cabo par met√°lico para fibra, e tem hoje mais de 7 mil clientes s√≥ na Regi√£o dos Lagos (RJ).

Portanto, se voc√™ est√° convencido da import√Ęncia de levar conex√£o de qualidade a milhares de brasileiros que querem acesso √† internet mas n√£o conseguem, comece a reestruturar a sua rede e ofere√ßa servi√ßos mais satisfat√≥rios, personalizados e confi√°veis. Ele vai levar isso em conta na hora que a conex√£o com a atual operadora cair, mais uma vez.

* engenheiro e gerente de Implantação e Produção da Cianet

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