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A (im)previsibilidade do futuro dos negócios e o dualismo da inovação

A (im)previsibilidade do futuro dos negócios e o dualismo da inovação

by 14 de junho de 2017 0 comments

* Por Caroline Capitani

Se fosse realizada hoje uma pesquisa sobre a import√Ęncia da inova√ß√£o, com os executivos que comandam as m√©dias e grandes companhias privadas do Brasil, acredito que 10 em cada 10 diriam considerar importante inovar. E mais, ainda afirmariam que em suas companhias √© um tema t√£o importante que √© tratado √† n√≠vel estrat√©gico. A verdade √© que muitos dir√£o que a inova√ß√£o √© uma quest√£o de sobreviv√™ncia. Basta ler as principais revistas de neg√≥cios do pa√≠s, em mat√©rias com estas lideran√ßas para identificar o quanto o tema √© recorrente: INOVA√á√ÉO, INOVA√á√ÉO, INOVA√á√ÉO! Caberia, inclusive, um estudo sobre a prolifera√ß√£o do termo nas entrevistas e discursos do meio empresarial, n√£o √©?

Mas, se o assunto est√° em pauta, se √© considerado como importante para o crescimento e futuro das corpora√ß√Ķes, por que a maioria das empresas no Brasil ainda inova t√£o pouco? Por que incorporar tecnologia estrangeira √© o caminho mais natural? Ser√° que n√£o temos condi√ß√Ķes de sermos os l√≠deres da mudan√ßa? O que parece √© que n√≥s acabamos nos contentando em seguir as inova√ß√Ķes externas e n√£o nos tornarmos criadores.

Apesar das ‚Äún‚ÄĚ justificativas para que isto aconte√ßa, o que mais tem chamado a minha aten√ß√£o √© que, ao longo destes anos √† frente da √°rea de Neg√≥cios, encontrei dois perfis distintos: empresas que entendem que faz parte da inova√ß√£o lidar com as incertezas, testes e erros e que n√£o √© poss√≠vel de antem√£o ter a previsibilidade apurada do sucesso ou do ganho financeiro. E, do outro lado, uma s√©rie de organiza√ß√Ķes que n√£o est√£o dispostas a correr riscos e que acreditam que para inovar precisam de garantias, com os planos e investimentos seguindo √† risca o planejado, sem desvios de rota ou adapta√ß√Ķes.

Em muitos casos, a aprovação de uma iniciativa precisa vir acompanhada de uma grande defesa de retorno financeiro ou de economia, em um infindável plano de negócios, numa busca incessante da previsão ou certeza de algo. Mas o que já percebemos é que o imprevisível e a mudança de planos fazem parte da regra do jogo.

Diante desta polariza√ß√£o da forma como as empresas encaram a inova√ß√£o, sem d√ļvida as que t√™m levado uma significativa vantagem s√£o as dispostas a ousar e lidar com o imprevis√≠vel. Apesar de serem minoria, est√£o em crescimento, talvez pressionadas pelo receio de serem suplantadas no futuro, n√£o t√£o long√≠nquo, por n√£o terem sido arrojadas o suficiente no presente. Empresas consolidadas no passado, como Kodak e Blockbuster, n√£o tiveram a chance de voltar no tempo e rever suas estrat√©gias, por exemplo. Hoje o que resta s√£o duas marcas que fizeram hist√≥ria e que est√£o servindo de estudo nos diversos cursos de MBA em gest√£o e inova√ß√£o, sobre o pre√ßo que se paga por n√£o inovar nos neg√≥cios. E quem quer ser um destes exemplos?

Todo o executivo deveria dormir e acordar movido pelo desafio de levar a empresa para a frente, recriando o futuro dos seus neg√≥cios. N√£o garantir somente o hoje, onde a zona de conforto √© convidativa e mais tranquila. O importante √© engajar e mobilizar para criar o futuro e percorrer caminhos imprevis√≠veis com um objetivo √ļnico: buscar verdadeiramente a inova√ß√£o. N√£o h√° nada mais contagiante que uma lideran√ßa aberta aos riscos do desconhecido.

Há muito para ser mudado, especialmente no que diz respeito ao mindset. A forma como as empresas estão organizadas, ao exemplo de um departamento de compras orientado a preço, prazo e qualidade, dentro de um modelo de escopo fechado. Ou em como contratar serviços de inovação tecnológica, já que é preciso detalhar o funcionamento do mesmo, a partir de um papel em branco, mesmo sabendo que terão mudanças.

Falar e praticar
Em tempos em que ouvir o usu√°rio √© imprescind√≠vel, acreditar que o escopo se manter√° inalterado at√© o final do projeto √© no m√≠nimo uma vis√£o m√≠ope. O herdeiro e executivo da Ford Motor Company, Bill Ford, √© um exemplo desta mudan√ßa de comportamento e percep√ß√£o de mercado: ‚Äú A ind√ļstria de carros vai se transformar numa ind√ļstria de software‚ÄĚ. Como ele, muitos dizem que diversas empresas, dos mais diferentes setores, se tornar√£o em empresas de software, √© a transforma√ß√£o digital, que faz com que esta mudan√ßa seja muito necess√°ria em todas as √°reas.

A verdade que vejo no mercado é que muitos falam em inovação, mas poucos ainda a praticam de fato. As que já se abriram para esse novo momento certamente já conseguem ver ganhos em agilidade e na maior entrega de valor para o negócio, entre outros benefícios.

Para aqueles que querem liderar o futuro e n√£o serem engolidos por uma poss√≠vel startup – que surgiu para fazer seu produto ou servi√ßo mais r√°pido, mais barato e melhor – lembre-se que a inova√ß√£o come√ßa no presente. O professor e cientista S√©rgio Meira j√° afirmou: ‚ÄúO futuro √© a execu√ß√£o imperfeita do desconhecido, no presente‚ÄĚ. Assim, estejamos √°vidos por fazer a diferen√ßa hoje e encarar o imprevis√≠vel no presente! Inovar √© lidar com a incerteza e √© sim correr riscos.

* gestora de Marketing e Inovação na ilegra

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