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Freemium ganha novos tentáculos e aumenta amplitude de monetização de dados

Freemium ganha novos tentáculos e aumenta amplitude de monetização de dados

by 23 de janeiro de 2019 0 comments

por Paulo Henrique Pichini*

Ainda pouco entendidos, mas muito utilizados, os servi√ßos Freemium j√° acendem espa√ßos f√≠sicos p√ļblicos e corporativos. Isso √© feito com aplica√ß√Ķes e intelig√™ncia, disponibilizados aos usu√°rios como servi√ßos especiais que melhoram sua experiencia e efici√™ncia. Trata-se de uma quebra de paradigma pr√≥pria da Web 2.0 que chega, agora, ao mundo f√≠sico.

O Freemium √© um modelo de neg√≥cio que oferece gratuitamente (‚Äúfree‚ÄĚ) uma infinidade de servi√ßos digitais. Nesse formato, √© comum cobrar-se um valor (“premium”) por funcionalidades avan√ßadas ou especiais.

A palavra “Freemium” foi criada em 2006 pelo norte-americano Fred Wilson para combinar esses dois aspectos de neg√≥cios na Web 2.0: “free” e “premium”. Hoje, esse conceito tamb√©m est√° presente nos espa√ßos f√≠sicos (aeroportos, shopping centers, est√°dios, etc.).

Alguns dos serviços Freemium digitais (virtuais, não físicos) mais populares são Linkedin, Spotify, Skype e Dropbox.

Essas s√£o empresas gigantescas que, mesmo oferecendo acesso gratuito aos seus servi√ßos, s√£o muito lucrativas. A sa√ļde financeira dessas empresas se baseia em tr√™s pilares: continuar atraindo novos usu√°rios (o Skype, por exemplo, tinha 600 milh√Ķes de usu√°rios em 2017); oferecer funcionalidades Premium suficientemente cr√≠ticas para convencer parte desse universo a come√ßar a pagar por seus servi√ßos; e, finalmente, criar perfis de usu√°rios (monetiza√ß√£o de dados) que, com a ajuda de solu√ß√Ķes de bigdata/analytics, ser√£o usados para vender novos servi√ßos e produtos.

Em nome da máxima rentabilidade, é essencial que o serviço Freemium atraia continuamente novos usuários. Conforme a atratividade da oferta paga, uma porcentagem desse universo acabará aderindo ao modelo Premium. Imagine que você seja o CEO de uma startup Freemium e receba um relatório dizendo que 1% é sua taxa de conversão (a porcentagem de usuários gratuitos que fizeram upgrade para um plano Premium) do trimestre mais recente.

O √≠ndice de 1% sinaliza que uma quantidade demasiada do que est√° sendo fornecido √© gratuito ‚ÄĒ dando aos usu√°rios pouco motivo para fazer upgrade. Entretanto, uma taxa de convers√£o muito alta n√£o √© necessariamente boa.

Isso acontece porque um dos benef√≠cios de um modelo Freemium √© a capacidade de gerar tr√°fego (um elemento chave da monetiza√ß√£o de dados, a verdadeira for√ßa financeira do modelo Freemium). Pensando-se no quadro maior, talvez seja melhor converter 5% de 2 milh√Ķes de visitantes mensais do que converter 50% de 100.000 visitantes.

Mais do que a porcentagem de conversão para Premium, a grande meta dos investidores de um serviço Freemium é gerar tal volume de dados sobre os usuários do sistema ou do espaço físico que isso reverta em novas vendas.

Monetização de dados é a verdadeira força motriz do mercado Freemium.

Estamos falando de um cenário em que, a princípio, os dados sobre os usuários do serviço eram gerados por bancos de dados tradicionais, mensagens de e-mail, etc.

A evolu√ß√£o da tecnologia est√° fazendo com que outras fontes de dados sobre o usu√°rio ganhem cada vez mais espa√ßo: trata-se de solu√ß√Ķes baseadas em beacons, video analytics, intelig√™ncia artificial e IoT (Internet of Things) capazes de estender a vis√£o de dados, inicialmente cadastral, para dados comportamentais.

Passa a ser poss√≠vel literalmente ‚Äúenxergar‚ÄĚ os movimentos do consumidor n√£o s√≥ em um sistema digital (logs tradicionais mapeando o uso de uma aplica√ß√£o Freemium como o Skype, por exemplo) mas, tamb√©m, em um espa√ßo f√≠sico. A meta √© enriquecer e refinar o perfil desse consumidor/usu√°rio.

Estas novas tecnologias acompanham os usu√°rios em determinados ambientes inteligentes e os rotulam e escalonam por g√™nero, faixa et√°ria, geolocaliza√ß√£o. As solu√ß√Ķes s√£o capazes, tamb√©m, de analisar por onde andaram e onde pararam dentro do espa√ßo Freemium (aeroportos, shoppings, pr√©dios corporativos, etc.)

A riqueza da an√°lise aumenta quando se cruza esses dados com o perfil da pessoa em redes sociais e com outras aplica√ß√Ķes que mapeiem seus h√°bitos de consumo. O resultado final contribui para aumentar, e muito, o volume de vendas e de novos neg√≥cios.

Para isso, os dados criados a partir dessas tecnologias ser√£o monetizados de uma maneira muito sofisticada. A soma de servi√ßos de consultoria de neg√≥cios com solu√ß√Ķes de bigdata/analytics √© o que ir√° gerar, ao final do dia, um dashboard sob medida para cada empresa ‚Äď uma verdadeira alavanca de crescimento dos neg√≥cios.

Em 2019, inteligência e tecnologia farão com que a receita decorrente de monetização de dados aumente, atingindo novos patamares.

Segundo relat√≥rio da IDC sobre BigData (2017), a monetiza√ß√£o de dados est√° se tornando uma grande fonte de receita. O fundamento disso √© claro: at√© 2025, o mundo criar√° 180 zetabytes (180 trilh√Ķes de gigabytes) de dados.

Em face disso, veremos cada vez mais empresas analisando grandes volumes de dados para estabelecer o perfil din√Ęmico de seus usu√°rios e clientes e, com base nele, projetar estrat√©gias comerciais perfeitamente adequadas a cada um de seus usu√°rios.

√Č exatamente a√≠ que est√° o interesse de novos e grandes grupos de investimentos pelo mundo Freemium. Imagine acender com este tipo de tecnologia e intelig√™ncia um ambiente f√≠sico controlado e determinado. E, a partir da√≠ entender o perfil e o comportamento de quem frequenta esse espa√ßo.

Por um lado, o espa√ßo oferece um ambiente altamente colaborativo e uma experi√™ncia √ļnica de lazer, conviv√™ncia, colabora√ß√£o profissional e pessoal.

Por outro, em troca de serviços Freemium e de uma experiência incrível, o usuário devolve seus dados e seu comportamento. De forma imperceptível, tudo isto já está acontecendo nos grandes centros urbanos brasileiros.

*Paulo Henrique Pichini é CEO e Presidente da Go2neXt Digital Innovation

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