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Empresas com estratégias e equipes flexíveis inovam mais

Empresas com estratégias e equipes flexíveis inovam mais

by 7 de novembro de 2017 0 comments

* Por Ana Julia Ghirello

Eu n√£o sou uma pessoa que toma novas dire√ß√Ķes, produz ou age depois de an√°lises profundas, pesquisas acad√™micas ou estudos. Geralmente conecto pontos por associa√ß√Ķes emp√≠ricas, uso o gut feeling, presto aten√ß√£o √† momentos “ah√°!” e planejo (hoje, muito mais do que antes). Existe, claro, um lado ruim com esse approach √†s vezes dava pra ter errado um pouco menos em determinadas situa√ß√Ķes mas acho que ganho muito, tamb√©m, na agilidade e flexibilidade de deixar meus neg√≥cios flu√≠rem de forma mais org√Ęnica e inovadora.

Foi assim h√° 2 anos com a cria√ß√£o da abeLLha – incubadora de neg√≥cios de impacto social focada pra quem tem neg√≥cios em est√°gio inicial. Na √©poca eu estava ajudando no desenvolvimento de duas empreendedoras e comecei a perceber que poderia expandir a metodologia para um n√ļmero muito maior de pessoas. A abeLLha nasceu em 2016 a partir desta experi√™ncia, ainda tentando entender “quem √©ramos” √† medida que oper√°vamos. S√≥ come√ßamos a perceber onde nos encaix√°vamos no mercado de impacto, as complementaridades e posicionamento, depois de mais um menos 18 meses. N√£o ter isso fixo desde o come√ßo foi essencial para encontrar nosso nicho dentro do que fazemos bem e do que o mercado busca.

O ex-McKinsey, Frederic Laloux, autor do aclamado Reinventing Organizations (Reinventando Organiza√ß√Ķes, quase traduzido no Brasil), vem estudando o caminho evolutivo das organiza√ß√Ķes (olhando para como nos organizamos h√° mais de 10 mil anos). Um dos pontos que ele menciona √© a capacidade de novas empresas terem uma fluidez maior: o Prop√≥sito Evolutivo.

Prop√≥sito Evolutivo √©, na vis√£o do Laloux, entender que a organiza√ß√£o em si √©, tamb√©m, um organismo vivo em constante mudan√ßa. Ficar atento a caminhos e evolu√ß√Ķes fora do planejamento (a nossa famosa tentativa de controle, n√©?!) pode trazer mais inova√ß√£o, melhores resultados e novos neg√≥cios.

Deixar isso acontecer não é fácil, pois vai um pouco na contramão do que estamos acostumados: um planejamento detalhado, controlado e pronto para execução. Criar uma cultura onde todos (e não só gerente e diretores) se sentem confortáveis e existe processo para questionar uma estratégia ou projeto atual é, também, determinante.

Organização fluida
Hoje, refletindo sobre a teoria, penso que se a gente n√£o tivesse come√ßado a abeLLha de forma totalmente aberta, e por vezes ca√≥tica, a gente nunca teria aberto espa√ßo para a cria√ß√£o do Honeycomb√Ę??‚ÄĒ√Ę??que √© uma ferramenta de gest√£o estrat√©gica baseada nos OKRs (Objectives and Key Results), um sistema para definir metas relevantes e que cascateiam para a organiza√ß√£o) com alguns componentes de gest√£o horizontal (baseados na Holocracia) a que nasceu pra ser a nossa metodologia de gest√£o interna e hoje virou uma empresa separada.

Como ter uma organização fluida e que abre muito mais espaço para a inovação?

Resumindo: planejar sem estar casado com o planejamento e dar abertura real para todos questionarem a sua estratégia!

Acho importantíssimo um direcionamento claro, definir metas e olhar de perto a eficácia da execução. Porém, não insistir no que não vinga e abrir os olhos para o que acontece, muitas vezes, pela tangente é tão importante quanto.

Alguns pontos que considero essenciais:

Propósito: essa palavra está gasta, mas se todo mundo dentro da sua equipe compra de verdade o sonho da empresa, pensar constantemente em como evoluir é uma tarefa infinitamente mais simples. O trabalho de tentar ser melhor, buscar novos experimentos e hipóteses virá muito mais naturalmente quando se acredita no que se faz. A gente, por exemplo, contrata por propósito e valores compartilhados primeiro, habilidades vem depois.

Mindset experimental: criar uma cultura que celebra autonomia para a gera√ß√£o de hip√≥teses a serem validadas com experimentos √© a melhor maneira de gerar um ambiente propenso a inovar. Deixar opini√Ķes pessoais de lado e focar em respostas baseadas em dados √© essencial. Tirar de campo o ego e se deixar ser questionado por todos √© dif√≠cil mas enriquecedor.

Estrutura e disciplina: uma vez que se enxerga, a partir de experimentos, um novo projeto, nova ideia ou novo braço de negócio, é muito importante focar na continuidade da execução para que uma faísca se torne algo tangível. Muita gente deixar morrer uma nova ideia ou projeto em potencial por falta de foco, planejamento e disciplina.

Exercitar o desapego: saber entender que certos projetos, metas e tarefas talvez n√£o estejam retornando resultados relevantes e cort√°-los √© important√≠ssimo. Mais importante ainda √© ter uma cultura que permita esse desafio independente de cargo. Os seus “n√£os” s√£o a maior reafirma√ß√£o dos seus “sins”.

* fundadora da AbeLLha

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