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Como transformar o projeto de cidade inteligente em voto e dividendos políticos

Como transformar o projeto de cidade inteligente em voto e dividendos políticos

by 17 de agosto de 2015 0 comments

O conceito de cidades inteligentes vem ganhando espaço ao redor do mundo. Os benefícios seduzem tanto a população, que ganha melhores serviços, como prefeitos e administradores públicos, que passam a decidir com informações em tempo real. Mas, diferentemente de uma grande obra, essa transformação em direção ao futuro pode não render visibilidade que garanta a carreira política de qualquer prefeito ou gestor público. “Cidade inteligente não significa voto. Isso precisa ser traduzido para a população”, comenta Fábio Pontes, secretário de Turismo de Águas de São Pedro (distante cerca de 185 Km da Capital de São Paulo, na região de Piracicaba – Noroeste do Estado).

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Sensor controla iluminação pública. Menos luz quando não há pessoas por perto.

Para Pontes, a tendência é que mais municípios brasileiros transformem-se em smart cities nos próximos anos, mas os dividendos políticos só serão transferidos para gestores públicos que souberem falar que a tecnologia transforma-se em algo que a população sabe medir e aplaudir. “A resposta que tem de ser dada é em termos de resultado conseguido e problema resolvido”, ensina. Essa argumentação deve ser feita inclusive quando os técnicos da administração apresentam o projeto para o prefeito.

Um exemplo é o projeto de controle de iluminação de Águas de São Pedro. Quando foi dito ao prefeito que as luzes iluminariam 50% menos em certos locais, a primeira reação foi temer pela segurança, já que ficaria mais escuro. “Mostramos que isso seria feito com sensores em locais nos quais quase ninguém passa depois da 20h. Se há movimento, o sensor capta e a luz volta ao normal”, lembra Pontes. Explicado o funcionamento, o próximo passo foi medir a economia conseguida , que chegou a 30% em média no consumo da iluminação pública. Os recursos poupados foram transferidos a outras áreas e projetos.

Outra solução inteligente da Águas de São Pedro é o controle de estacionamento que melhorou a mobilidade urbana na cidade. O centro comercial do município não é composto por mais do que meia dúzia de ruas e uma avenida central. O número de vagas é reduzido para uma cidade de cerca de 3 mil habitantes que recebe 5 mil visitantes em finais de semana e 20 mil em feriados prolongados. Para organizar o estacionamento, a prefeitura instalou sensores com luzes nas vagas e criou um app para celular.

No aplicativo, o turista pode ver o mapa das ruas, escolher a vaga e reservá-la. A luz do sensor passa de verde para vermelho nesse momento. Com isso é só chegar e estacionar o veículo no local escolhido. Se o motorista não tiver o app, ele pode parar o carro em qualquer lugar com a luz verde. “A confusão diminuiu e a certeza de organização nas vagas está trazendo mais turistas e beneficiando o comerciante”, comenta Pontes.

O sucesso das duas soluções levou a prefeitura de Águas de São Pedro a usar a estrutura de telecomunicações e os parceiros de tecnologia para resolver outros problemas. A criação de uma agendamento via web para agendar consultas no atendimento médico local e o uso de biometria para identificar usuários aumentou a rapidez do serviço prestado. Outro app, o e-Cidadão, criou um canal direto de reclamação com a prefeitura e melhorou o controle de despachos para as equipes de campo.

O segredo da comunicação
A cidade tem outros projetos implantados que a caracterizam como uma smart city e mais alguns em fase de planejamento. Os alunos têm tablets e softwares especiais de educação, um app ajuda a controlar focos de dengue, etc. Mas o secretário de Turismo destaca que o que foi percebido de forma mais rápida pelos cidadãos foi o de câmeras digitais espalhadas pelas ruas para melhorar a segurança. O município não enfrenta grandes problemas de violência, o último homicídio foi há 16 anos, mas há casos pontuais e infrações que podem ser monitoradas para melhorar a rotina da cidade e reforçar o rótulo de refúgio agradável para o turista. “Cidade inteligente não se transforma em votos, é um projeto para melhorar a cidade. Mas um prefeito pode ganhar visibilidade se mostrar a economia conseguida, onde o dinheiro economizado foi usado ou dar respostas mais rápidas para a população. Não adianta falar sobre tecnologia, tem de falar em números, melhorias e problemas resolvidos”, ensina Pontes.

Show room de tecnologia
Águas de São Pedro é uma das apostas das empresas de tecnologia para popularizar o conceito de cidade inteligente. O investimento no município foi capitaneado pela Telefônica. A operadora injetou mais de R$ 2 milhões na experiência, iniciada no final de 2013, e convocou diversos fornecedores de equipamentos para particparem do projeto. “O termo está ganhando espaço, diversos prefeitos já vieram conhecer como tudo funciona e cada um tenta adaptar as soluções para suas necessidades”, aponta Eduardo Koki Iha, gerente de Inovação da Telefônica Vivo.

O conceito de cidade inteligente só se concretiza se a tecnologia trouxer novos modelos de gestão e cidadania. “Os gestores públicos conseguem informações da cidade e podem decidir melhor, surgem novos serviços ágeis e, com o tempo, o cidadão passa a ter outra relação com a cidade e pensar em negócios em cima da infraestrutura criada”, destaca Anderson Tomaiz, gerente sênior de Soluções da Huawei, uma das envolvidas no projeto.

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Fábio Pontes, secretário de Turismo, em frente aos monitores de vigilância de Águas de São Pedro

Mudando conceitos
Em novembro de 2014, o município de Itatiba (região de Campinas-SP) abriu licitação para se tornar uma cidade inteligente. A aposta na localidade é alta. Um dos problemas enfrentados por prefeitos e técnicos que querem transformar os serviços com tecnologia é conseguir apoio de outras esferas de governo e adaptar as ideias aos controles dos tribunais de contas e órgãos reguladores. Itatiba é o primeiro a conseguir mostrar o investimento em smart city como algo encaixado nessas exigências e não só um piloto. “Isso facilitará futuros projetos de cidades inteligentes”, diz Iha.

 

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