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Como andam as Coisas na Internet?

Como andam as Coisas na Internet?

by 25 de janeiro de 2015 0 comments

A dist√Ęncia entre o mundo real e o digital est√° encurtando a passos largos. Cientistas afirmam que em um futuro muito pr√≥ximo tudo o que √© f√≠sico e faz parte do nosso dia a dia estar√° ligado √† web, gerando troca de dados inimagin√°vel entre objetos. At√© mesmo nosso corpo ter√° essa habilidade com a tecnologia ‚Äúwearable‚ÄĚ, chip vest√≠vel que concede a fun√ß√£o especial a uma mera pulseira ou rel√≥gio, camiseta, √≥culos e outros acess√≥rios. A Internet of Things (IoT), ou Internet of Everything (IoE), que est√° criando a sociedade conectada, ser√° a grande respons√°vel por interligar todas essas coisas.

Para quem ainda n√£o sabe muito sobre o assunto vale recordar que a chamada web 3.0, a IoT, que chegou depois da internet comercial e das comunica√ß√Ķes m√≥veis, promete grande revolu√ß√£o na vida das pessoas e dos neg√≥cios. O conceito come√ßou a ser estudado em 1991 e o nome foi definido pelo brit√Ęnico Kevin Ashton, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology¬†(MIT), quando fundou em 1999 o Auto-ID Laboratory, com a ajuda da tecnologia de identifica√ß√£o por radiofrequ√™ncia, a RFID, que protagoniza o funcionamento.

Ashton descobriu que os computadores poderiam observar coisas, olhar, ouvir e at√© sentir o cheiro do mundo por meio de sensores. A ideia dele era dotar as m√°quinas de recursos para estabelecer comunica√ß√£o entre si e realizar muitas das fun√ß√Ķes desempenhadas por humanos. Come√ßou ent√£o a desenvolver sistemas de monitoramento que contassem tudo sobre os objetos, informando, entre in√ļmeros dados, quando precisam ser substitu√≠dos e reparados para ajudar as organiza√ß√Ķes a reduzirem custos com manuten√ß√£o e desperd√≠cios.

De l√° para c√°, a IoT evoluiu, deu os primeiros passos e ganhou impulso com os avan√ßos da banda larga, a populariza√ß√£o dos dispositivos m√≥veis e a dissemina√ß√£o da nuvem. Hoje, quase toda a ind√ļstria de Tecnologia da Informa√ß√£o e Comunica√ß√£o (TIC) est√° envolvida na cria√ß√£o de solu√ß√Ķes para alimentar a cadeia da nova internet, como √© caso de Intel, AMD, Microsoft, Dell, Samsung, IBM, LG, Ericsson e todas as teles.

Esse √© um neg√≥cio que desperta o interesse tamb√©m de outros segmentos da economia, pois a comunica√ß√£o m√°quina a m√°quina (M2M) vai mover objetos de diversos setores como ind√ļstrias de manufatura, transporte e log√≠stica, sa√ļde, governos, constru√ß√£o civil e varejo.

As coisas e objetos desses mercados v√£o ganhar identidade pr√≥pria (endere√ßo IP) e interagir entre si, como se conversassem, trocando ideias [dados]. ¬†De forma que possam operar sozinhas. Um exemplo s√£o os carros aut√īnomos que a ind√ļstria automobil√≠stica est√° projetando para chegarem √†s ruas at√© o final da d√©cada com capacidade para trafegarem sem a necessidade de um componente que jamais poder√≠amos acreditar: o motorista.

A IoT vai estender seus tent√°culos invis√≠veis e interligar processos, pessoas, coisas, e, segundo analistas, gerar economia para as organiza√ß√Ķes dos setores privado e p√ļblico. Desse rebuli√ßo, v√£o nascer produtos e servi√ßos diferenciados para melhor atender ao consumidor e √† popula√ß√£o em geral. N√£o √© √† toa que essa nova rede foi apontada pelo Gartner como o quinto pilar das megatend√™ncias de TI ao lado de Big Data, cloud computing, social media e mobilidade.

√Č uma onda com muitas oportunidades e quem surfar nela pode se dar bem. Pesquisas da Cisco indicam que a IoT vai interligar aproximadamente 50 bilh√Ķes de dispositivos at√© 2020 e movimentar cerca de US$ 310 bilh√Ķes. Tem no√ß√£o da grandiosidade? A IDC √© ainda mais agressiva e projeta uma receita global de aproximadamente US$ 3 trilh√Ķes, envolvendo todo o ecossistema at√© o final da d√©cada.

Inteligência é o mote
¬†Hoje, tudo √© conectado, m√≥vel e, tem de, ou ao menos se propor, ser inteligente! E √© nessa base que a IoT se sustenta. No seu conceito, vai al√©m, ela pode automatizar uma infinidade fun√ß√Ķes e, por isso, tem apelo em v√°rias √°reas. Um deles √© o segmento residencial. O Gartner prev√™ que a casa inteligente ter√° uma m√©dia de 500 dispositivos at√© 2022 para comunica√ß√£o e monitoramento de portas, janelas, geladeiras, fog√£o, ar-condicionado, ilumina√ß√£o e in√ļmeros objetos do ambiente, j√° que o c√©u √© o limite quando se fala de aplica√ß√Ķes de IoT.

Imagine, convidam os consultores, que a IoT será o alicerce para a construção de edifícios inteligentes, equipados com sensores para diminuir custos operacionais com o consumo de energia por meio da integração dos sistemas de ventilação, refrigeração, ar-condicionado, elevadores e manutenção de outros equipamentos. A ThyssenKrupp, não perdeu tempo, uniu-se à Microsoft para monitorar seus elevadores pela nuvem.

E os Governos tamb√©m n√£o. J√° come√ßam a se apoiar na IoT para a cria√ß√£o de cidades inteligentes. Barcelona foi uma das primeiras cidades da Europa a oferecer servi√ßos virtuais aos cidad√£os, usando tecnologias de v√≠deo e colabora√ß√£o para permitir √† popula√ß√£o interagir com a prefeitura, evitando deslocamentos e as entediantes burocracias t√£o comuns nas reparti√ß√Ķes locais.

Elas, as cidades digitais, que saltaram das hist√≥rias em quadrinhos e ganharam a realidade, usar√£o a IoT para leituras com precis√£o do consumo de energia, √°gua, g√°s, entre diversos servi√ßos p√ļblicos. Os estacionamentos mostrar√£o em tempo real onde h√° vagas, permitindo que motoristas fa√ßam a reserva pelo smartphone ou por rel√≥gios inteligentes.

 Revolução nos modelos de negócios
¬†A Internet das Coisas √© o grande trunfo das organiza√ß√Ķes para vencer o desafio de torn√°-las digitais, acredita C√°ssio Dreyfuss, vice-presidente de Pesquisas do Gartner. ‚ÄúPor integrar pessoas e objetos, em sinergia com as outras tecnologias, a IoT pode gerar modelos de neg√≥cios incr√≠veis‚ÄĚ.

O varejo √© um dos segmentos da economia que vai se beneficiar em muito com essa nova onda, avalia Severiano Macedo, gerente de Desenvolvimento de Neg√≥cios da unidade de IoT da ¬†Cisco para a Am√©rica Latina. Ele menciona a implementa√ß√£o de sensores em g√īndolas com c√Ęmeras de v√≠deos para transmiss√£o sincronizada de dados sobre vendas e comportamento do consumidor, que v√£o direto para m√£os e mentes das equipes de produ√ß√£o e marketing.

Outra aplica√ß√£o citada por Macedo √© a automa√ß√£o dos processos fabris, como os da ind√ļstria automobil√≠stica, que vai permitir √†s empresas informar aos compradores dos carros cada etapa de montagem do seu ve√≠culo para fidelizar a marca.

Tudo isso n√£o √© novidade na ind√ļstria automotiva, que j√° usa a IoT tanto na fabrica√ß√£o como para prestar servi√ßos aos consumidores, informa Marise Luca (foto), diretora de Solu√ß√Ķes de Transporte da¬†Ericsson Am√©rica Latina.¬† O carro conectado embarca sensores para informar aos motoristas, entre in√ļmeras dicas e alertas, quando devem fazer manuten√ß√£o do seu autom√≥vel, que vai desde a troca de √≥leo ou substitui√ß√£o de alguma pe√ßa como medida preventiva.

‚ÄúOs consumidores ser√£o avisados, por exemplo, sobre o desgaste de freio e onde h√° uma oficina mais pr√≥xima para resolver o problema‚ÄĚ, conta a executiva da Ericsson, que tem projeto de IoT, envolvendo companhias como a Volvo Car Group.

E no Brasil?
¬†O Brasil tem algumas iniciativas de Internet das Coisas. Dados do Teleco, que monitora o mercado de telecom, revelam que at√© agosto de 2014, havia no Pa√≠s mais de 9 mil terminais trocando informa√ß√Ķes M2M. Esse n√ļmero dever√° crescer em 2015 quando entrar em vigor a resolu√ß√£o do Departamento Nacional de Transito (Denatran), que obriga a todos os ve√≠culos sa√≠rem de f√°brica com m√≥dulos de M2M embarcados para rastreamento.

Fique atento. Ainda neste ano, passa a valer a norma da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece o oferecimento aos clientes, por parte de todas as concessionárias de energia elétrica, da opção de instalação de medidores inteligentes. Algumas delas já estão testando o uso de M2M com projetos em consumidores corporativos, como é o caso da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Observadores constantes do potencial de mercado de IoT no País, fornecedores se movimentam para atender à nova demanda do mercado. A Denox do Brasil inaugurou uma fábrica em Betin (MG) para explorar esse nicho. Ela nasceu da empresa nacional Maxtrack, que produz equipamentos para rastreamento de veículos.

‚ÄúSomos pioneiros no Brasil em Internet das Coisas com solu√ß√Ķes de ponta a ponta, enquanto os demais est√£o mais focados em M2M‚ÄĚ, afirma Felipe Ivo, diretor comercial da Denox. Uma das aplica√ß√Ķes da empresa s√£o solu√ß√Ķes de seguran√ßa com c√Ęmera e baseadas em biometria, que reconhece o dono da casa, abre a fechadura da porta e tra√ßa perfil dos moradores, informando por celular qualquer anormalidade.

A companhia comercializa tamb√©m tomadas inteligentes, capazes de acionar cafeteiras, microondas e outros equipamentos. Ela j√° contabiliza uma centena de clientes no Pa√≠s. Os planos para 2015 inclui a presen√ßa em 10 mil locais em territ√≥rio nacional. Mas em 2018, a ousadia √© ainda maior: esperam contabilizar 1 milh√£o de pontos com aplica√ß√Ķes de IoT.

Na prestadora de servi√ßos brasileira CI&T, sediada em Campinas (SP), a novidade √© o espa√ßo ‚ÄúThe Garage‚ÄĚ, uma esp√©cie de laborat√≥rio para IoT, inaugurado em maio do ano passado. Al√©m de desenvolver prot√≥tipos, v√£o buscar capacita√ß√£o em Internet das Coisas.

Pela gama de oportunidades que a IoT promete, tudo indica que os talentos que se especializarem nessa área terão a carreira valorizada. Por atuar com amplo ecossistema, esse novo mercado vai demandar profissionais com visão multidisciplinar. Especialistas acreditam que haverá espaço para desenvolvedores de software, engenheiros elétricos, designers, especialistas em hardware e principalmente os que dominam as plataformas móveis.

Para formar essa m√£o de obra, a Telef√īnica Vivo apoiou-se em parcerias com universidades. A operadora vai inaugurar um centro de pesquisa sobre IoT na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e fechou acordo com Instituto Mau√° de Tecnologia de S√£o Caetano do Sul (SP). O objetivo √© despertar o interesse dos estudantes de TI para a nova internet, direto na fonte.

 Pedras no caminho
¬†A IoT promete conquistar espa√ßo no solo brasileiro, mas ainda precisa vencer algumas barreiras. Uma delas √© o custo dos sensores ainda considerados alto. O presidente da AMD no Brasil, Roberto Brand√£o, garante que os processadores, que v√£o embarcados nas aplica√ß√Ķes, est√£o deixando de ser proibitivos. ‚ÄúOs pre√ßos est√£o caindo e ficar√£o mais acess√≠veis com a massifica√ß√£o‚ÄĚ, promete o executivo.

Outro esfor√ßo da ind√ļstria, segundo Brand√£o, para impulsionar a IoT, √© aumentar a performance desses chips e tamb√©m o tempo de autonomia das baterias, principalmente das embarcadas nos controles remotos para monitorar objetos em resid√™ncias.

Brand√£o avalia que esses problemas est√£o mais equacionados no Brasil, mas considera que a conectividade nas pontas ainda √© um desafio. As redes 3G e 4G ainda t√™m problemas de cobertura fora dos grandes centros, o que ser√° uma pedra no sapato do Pa√≠s para que a nova internet ganhe m√ļsculos.

Marise Luca, diretora de Solu√ß√Ķes de Transporte da¬†Ericsson na Am√©rica Latina, considera que a medida do governo federal, regulamentada no ano passado, desonerando impostos da comunica√ß√£o M2M pelas operadoras de telecomunica√ß√Ķes, traz novas perspectivas para a IoT no Brasil. Por√©m, ela ainda prev√™ uma grande caminhada para eliminar as barreiras com as quest√Ķes dos padr√Ķes e da infraestrutura de rede.

Os incentivos do governo federal anima as teles, que est√£o percebendo que a IoT √© uma oportunidade de neg√≥cios e come√ßam a investir nessa √°rea. Em agosto do ano passado, a Vodafone e a Datora Telecom deram as m√£os para atuar no mercado de M2M brasileiro. Embratel e Telef√īnica Vivo tamb√©m criaram √°reas de neg√≥cios em seus imp√©rios para explorar esse mercado. A companhia do grupo espanhol trabalha na forma√ß√£o de um ecossistema no Brasil com parceiros para desenvolver aplica√ß√Ķes capazes de conectar objetos e sensores com ajuda da nuvem. Ao que tudo indica, muita gente deve trilhar caminho semelhante. Quem vai se arriscar a deixar a onda gigante passar e n√£o surfar no tubo?

 

 

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