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Como a LGPD pode impulsionar a inteligência das empresas brasileiras

Como a LGPD pode impulsionar a inteligência das empresas brasileiras

by 1 de agosto de 2019 0 comments

Por Rodrigo Boschetti *

O que é necessário para uma empresa ter sucesso em sua jornada de transformação digital centrada em dados? Se você disse adotar as megatendências de TI, como a Computação em Nuvem, Internet das Coisas e Big Data, saiba que isso não é o suficiente.

Cada vez mais, as organiza√ß√Ķes precisam focar suas estrat√©gias em uma avalia√ß√£o que inclua pessoas, processos e, ent√£o, tecnologia. Somente assim ser√° poss√≠vel construir opera√ß√Ķes inteligentes e seguras, realmente preparadas para os novos desafios da Era das Informa√ß√Ķes.

A explicação para isso está no simples fato de que adotar uma nova tecnologia não basta para transformar uma companhia Рe tampouco para fazê-la entender e alcançar as vantagens das ferramentas digitais.

Estudos indicam que aproximadamente 60% dos vazamentos de dados sigilosos (do negócio ou dos clientes) começam de maneira interna, com erros cometidos pelos próprios colaboradores das empresas.

Por isso mesmo, antes de se preocupar somente com as plataformas e solu√ß√Ķes de an√°lise de dados, as companhias deveriam avaliar detalhadamente os processos internos e orientar as pessoas que est√£o envolvidas em cada etapa do neg√≥cio.

√Č justamente por isso que as novas regulamenta√ß√Ķes, como a Lei Geral de Prote√ß√£o de Dados (LGPD), podem se tornar uma grande oportunidade para as empresas brasileiras.

Embora pesquisas globais apontem que 70% dos diretores de TI consideram o processo de implementa√ß√£o de novas regulamenta√ß√Ķes como um poss√≠vel fator de risco para suas opera√ß√Ķes, a verdade √© que a ado√ß√£o de leis espec√≠ficas oferecer√° regras mais claras aos gestores ‚Äď o que mostrar√° o que ser√° preciso fazer ou mudar para utilizar o m√°ximo potencial das informa√ß√Ķes dentro das rotinas de cada unidade ou departamento.

Sendo assim, mais do que regular o cen√°rio, a nova lei pode representar o in√≠cio de uma nova fase para as organiza√ß√Ķes, levando os executivos e gerentes a entenderem quais s√£o as mudan√ßas e cuidados necess√°rios para que suas empresas alcancem o real potencial dos dados (e da tecnologia) como fonte para a gera√ß√£o de neg√≥cios.

Isso porque manter uma opera√ß√£o em conformidade com a regra n√£o ser√° apenas uma ‚Äúquest√£o do jur√≠dico‚ÄĚ, ou de um ou outro departamento. A nova regulamenta√ß√£o exigir√° um avan√ßo conjunto e integrado, com pessoas bem orientadas, processos adequados e tecnologias que, enfim, permitam que as companhias atendam melhor seus consumidores.

A melhor maneira de fazer essa transforma√ß√£o √© avaliar como as companhias podem aproveitar esses padr√Ķes obrigat√≥rios para tornar a gest√£o de dados mais simples e inteligente? Este ser√°, sem d√ļvidas, um dos principais desafios e focos impostos pela legisla√ß√£o.

O objetivo, desde já, deve ser encontrar modos para deixar os processos de coleta, armazenamento e utilização dos ativos digitais mais inteligentes e confiáveis.

Questionar quais são os dados sensíveis coletados e evitar duplicidades e inconsistência será, deste modo, vital para as companhias a partir de agora. Por exemplo: imagine que sua empresa tem um site que exige que o cliente informe o CPF, gênero e religião antes de iniciar o atendimento.

Sabendo que todos os dados devem ser protegidos e que sua empresa precisa garantir a total privacidade, será que valerá a pena manter todos estes dados sensíveis em sua ficha? A resposta é certamente não.

Em tempos de m√°xima preocupa√ß√£o com a experi√™ncia dos clientes, ter um dado desnecess√°rio √© correr mais riscos de colocar a identidade e a privacidade desse consumidor em risco. Ainda mais quando nos lembramos de que a pena para algum tipo de viola√ß√£o ser√° a aplica√ß√£o de multas, exclus√£o da base de dados, san√ß√Ķes comerciais e, principalmente, danos √† imagem das marcas.

O exemplo citado acima √© interessante, tamb√©m, pois une os tr√™s principais pontos relacionados √† gera√ß√£o e utiliza√ß√£o de informa√ß√Ķes digitais, que mencionamos no come√ßo deste texto. Ele resume porque a LGPD e sua regula√ß√Ķes poder√£o ajudar as companhias a serem mais h√°beis no mundo digital.

Se √© imposs√≠vel deixar uma opera√ß√£o longe do mundo online, o jeito agora ser√° pensar bem as estrat√©gias e a√ß√Ķes para mitigar os riscos e maximizar os resultados.

√Č evidente que nesse cen√°rio as empresas precisam avaliar as informa√ß√Ķes necess√°rias, ajustar seus processos e, com esta avalia√ß√£o, definir as ferramentas tecnol√≥gicas certas para satisfazer suas demandas internas e os desejos de seus clientes.

Em uma pesquisa recente, mais de 60% dos executivos de TI (CIOs) admitiram ainda estarem em d√ļvidas sobre os processos.

¬†Desta forma, como resultado, poderemos acelerar os investimentos em tecnologia adequada para o uso de informa√ß√Ķes dentro das empresas, definindo os processos que ajudar√£o a corre√ß√£o. Estamos caminhando de forma √ļnica e sem precedentes na hist√≥ria das empresas.

Nunca foi poss√≠vel avaliar e predizer o comportamento dos clientes a partir de informa√ß√Ķes fornecidas diretamente pelo comprador como hoje em dia ‚Äď todavia, essa aparente facilidade pode trazer consequ√™ncias, exigindo mais comprometimento, aten√ß√£o e efici√™ncia das companhias.

O avanço da tecnologia e o surgimento da nova lei podem ser a combinação que faltava para estimular a inovação dentro das empresas que buscam diferenciação no mercado. Estamos caminhando para novos modelos de trabalho e é hora de entender qual será o caminho e a regra a ser seguida para a nova jornada digital.

 

* Rodrigo Boschetti é Sales Engineer da Stibo Systems

 

 

 

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