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API: o termo técnico que virou estratégico para a sobrevivência dos negócios

API: o termo técnico que virou estratégico para a sobrevivência dos negócios

by 29 de novembro de 2018 0 comments

Por Marcílio Oliveira *

N√£o √© novidade que a nossa forma de consumir mudou. A conectividade j√° √© t√£o embutida na nossa rotina que ao ligar o Waze somos logados no Spotify quase que por¬†osmose. A nossa conta banc√°ria tamb√©m parece ter ‚Äėvida pr√≥pria‚Äô, com a quantidade de servi√ßos que nos s√£o oferecidos de acordo com os nossos h√°bitos de consumo. Hoje, tamb√©m √© poss√≠vel que todos os nossos aplicativos financeiros se conectem e nos deem uma vis√£o completa das nossas finan√ßas. Chegamos √† era das plataformas e o mundo realmente mudou.

A forma como consumimos informa√ß√Ķes e realizamos atividades simples do dia-a-dia, como pagar uma conta, chamar um “t√°xi”, ouvir m√ļsica ou assistir um filme, deixaria at√© mesmo Marty McFly boquiaberto. Para as empresas de setores consolidados como bancos, financeiras e varejo essas mudan√ßas s√£o especialmente impactantes, pois demandam uma¬†transforma√ß√£o¬†da vis√£o de neg√≥cios e na rela√ß√£o que elas j√° t√™m com a tecnologia.

Dessa urg√™ncia por mudan√ßas e disrup√ß√£o do papel que a Tecnologia tinha para os executivos at√© o in√≠cio dessa d√©cada √© que nasce a famosa ‚Äėtransforma√ß√£o digital‚Äô. A TI passou de um¬†departamento t√©cnico¬†para¬†estrat√©gico, capaz de transformar completamente os modelos de neg√≥cios mais regulados, como os bancos. E √© importante lembrar que √© nessa transforma√ß√£o que as APIs ganham forma, afinal, elas s√£o as grandes respons√°veis por transformar at√© as¬†m√°quinas¬†de cart√Ķes de cr√©dito e d√©bito em plataformas abertas, que permitem aos desenvolvedores criar novos servi√ßos ‚Äď como √© o caso da Cielo Lio ‚Äď que agora √© uma plataforma, que permite at√© que um restaurante integre seu card√°pio nela, por exemplo.

Das APIs surgiram os Unicórnios
Muito al√©m dos ‚Äėbits e bites‚Äô¬†essas tr√™s letrinhas s√£o praticamente as respons√°veis pelo sucesso dos Unic√≥rnios –¬† essas que j√° nascem no ambiente digital e t√™m tecnologia no seu¬†core business. H√° diversos exemplos de empresas que surgiram como plataforma e que criaram modelos de neg√≥cios imbat√≠veis, como Uber, Spotify, e no Brasil, o Nubank, Netshoes, PagSeguro, entre outras. Essas empresas nasceram nessa era e est√£o conquistando um mercado cada vez mais amplo de pessoas que podem fazer praticamente qualquer coisa pelo celular.

Uma das principais diferenças entre unicórnios e empresas tradicionais é que as APIs estão no centro de tudo desde a sua criação. Elas estão na comunicação entre os times internos, na agilidade com microserviços, nas mudanças organizacionais dos times, e na interação com clientes pelos diversos canais e plataformas em que estão inseridos. Claro, as APIs também estão na oferta dos diferentes produtos e serviços que essas empresas comercializam.  E o que isso gera? Agilidade e poder transformacional.

São nessas empresas que a TI ganhou um papel protagonista no desenvolvimento de negócios e não apenas do suporte da operação cotidiana da empresa. Essas empresas estão reescrevendo a história de times de TI, que estão usando suas capacidades técnicas para criar negócios que independem do mundo físico para sobreviver. São negócios na nuvem, com uma arquitetura escalável, que usam APIs internas e externas, e têm uma boa estratégia de plataformização alinhada à estratégia de negócios.

Por isso, enquanto a quarta revolução industrial bate à porta de setores tradicionais mostrando que a integração e a conectividade estão mudando os rumos da economia, as empresas que ainda não incluíram as APIs como parte da sua estratégia de negócios vão ter muito o que correr atrás para não desaparecerem. As APIs podem apoiar times internos a transformar modelos de negócios tradicionais com agilidade para competir de forma igualitária com empresas que já nascem digitais. Afinal, a tecnologia cria oportunidades para atender a sociedade e as empresas. E por mais que falar sobre APIs possa parecer técnico demais, o assunto é necessário e deve entrar na agenda dos executivos.

 

* Marcílio Oliveira é COO da Sensedia

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