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A Transformação Digital esvaziada de propósito e os impactos da LGPD

A Transformação Digital esvaziada de propósito e os impactos da LGPD

by 31 de outubro de 2019 0 comments

Por Alexandre Corigliano *

A Transformação Digital continua sendo a palavra da onda quando falamos de tecnologia e negócios. Em conjunto com o Robot Process Automation (RPA) e o Machine Learning, projetam mudanças profundas em processos e, principalmente, na chamada jornada do cliente.

Apesar de hoje ser discutida exaustivamente, a Transforma√ß√£o Digital vem ocorrendo desde o final dos anos 90 e in√≠cio dos anos 2000. Primeiro foram os sites e canais digitais aproximando empresas e clientes. Na sequ√™ncia, esta intera√ß√£o gerou uma explos√£o de novas ideias e ambi√ß√Ķes.

As tecnologias que suportam a Transforma√ß√£o Digital, como dispositivos mobile, solu√ß√Ķes em nuvem, RFID, blockchain, intelig√™ncia artificial, realidade aumentada e internet das coisas (IoT), entre outras, possibilitam uma real e profunda mudan√ßa na intera√ß√£o das empresas com seus clientes. Na outra ponta, as consultorias e empresas de tecnologia rapidamente ajustaram suas ofertas de produtos e servi√ßos para atender √† esta crescente demanda do mercado.

Tudo apontava para um casamento perfeito entre a necessidade de novas ideias e processos com tecnologias inovadoras e empresas competentes para implantá-las. Por este motivo me chamou a atenção uma pesquisa realizada pela e-Consulting com um grupo de CEOs e CIOs das mil maiores empresas do Brasil e que bate com minha visão: a expressão Transformação Digital está esvaziada de propósito para as empresas.

Apenas para ilustrar este ponto, na pesquisa, um em cada cinco CEOs diz que o principal motivo para investir em Transformação Digital é o medo de ficar para trás dos concorrentes. Essa mesma questão aparece em terceiro lugar na lista dos CIOs e em quinto lugar entre os heads de marketing.

Os novos produtos e processos est√£o sendo desenhados e constru√≠dos movidos por medo ou receio de ficar atr√°s dos concorrentes e n√£o pela busca da inova√ß√£o e quebra de paradigmas. Na minha opini√£o, o que deveria mover as discuss√Ķes sobre a Transforma√ß√£o Digital dentro das empresas √© como atender de forma mais r√°pida, eficiente e personalizada os anseios dos clientes. Afinal, produtos e processos devem estar a servi√ßo dos consumidores.

Em agosto de 2020, uma nova variável vai fazer parte da equação da Transformação Digital. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) entrará em vigor nesta data e já está movimentando as empresas na busca por adequação e compliance à legislação.

Sem d√ļvida a privacidade, bem como o consentimento para a captura e utiliza√ß√£o dados pessoais como RG, CPF, nome, e-mail e dados pessoais sens√≠veis como ra√ßa, convic√ß√£o religiosa, opini√£o pol√≠tica e doen√ßas s√£o essenciais para uma rela√ß√£o clara entre empresa e consumidores, principalmente em um momento em que estes dados est√£o sendo utilizados das mais diversas formas, incluindo as iniciativas da Transforma√ß√£o Digital.

E na urg√™ncia em definir estrat√©gias olhando para os clientes e o mercado, somado √†s preocupa√ß√Ķes com privacidade e seguran√ßa, que podem ser barreiras no avan√ßo dos processos digitais, o CIO passa a ser o protagonista desta hist√≥ria.

E olhando todo este cen√°rio, volto aqui a minha pergunta: com este impacto das regras impostas pela nova lei, como atender de forma mais r√°pida, eficiente e personalizada os anseios dos clientes? Certamente, o medo n√£o deve ser o motor a impulsionar esta resposta.

 

* Alexandre Corigliano é CEO da Nexyon

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