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A transformação digital e seus avanços no Brasil

A transformação digital e seus avanços no Brasil

by 24 de setembro de 2019 0 comments

Por Alessandro Cosin *

Para al√©m do horizonte macroecon√īmico, as empresas t√™m enfrentado uma agenda cada vez mais urgente: a t√£o propagada, e ainda pouco internalizada, transforma√ß√£o digital. Essa √© uma agenda global e local, das grandes, m√©dias e pequenas empresas.¬†No mercado brasileiro, at√© o momento, constatamos que a transforma√ß√£o est√° mais focada na¬†digitaliza√ß√£o das rela√ß√Ķes com os consumidores.

H√° diversos exemplos de novas solu√ß√Ķes para o¬†e-commerce, como transa√ß√Ķes mais amig√°veis, r√°pidas e seguras, al√©m de novos canais de¬†atendimento e relacionamento. No entanto, se partirmos da ideia central da revolu√ß√£o digital, que¬†√© repensar o pr√≥prio cerne do neg√≥cio a partir da gama sem precedentes de tecnologias j√° √†¬†disposi√ß√£o, temos ainda poucos casos brasileiros.

Com startups surgindo de forma fren√©tica e recebendo aportes milion√°rios, muitas empresas mais tradicionais enfrentam riscos reais de continuidade, uma vez que esses novos concorrentes j√° nascem com as novas tecnologias em seu core business, e livres de amarras de preconceitos anteriores. Na melhor das hip√≥teses, √© um novo concorrente. Na pior, um substituto que pode acabar com mercados inteiros, a exemplo do que ocorreu com a ind√ļstria fonogr√°fica e a difus√£o digital de m√ļsicas.

Logo, as empresas precisam avançar seu nível de maturidade para além da mera digitalização de canais com agilidade e de forma organizada. As oportunidades em termos de tecnologias à disposição são vastas, mas algumas aparentam estarem mais prontas para sua aplicação no curto prazo.

√Č o caso, por exemplo, da Internet das Coisas (IoT). Ela j√° √© uma realidade, motivada pela utiliza√ß√£o maci√ßa dos smartphones, que trazem a tecnologia embarcada, e promovem a intera√ß√£o de sensores e conex√£o com a rede, ampliando a capacidade de coletar e transmitir dados. V√°rias empresas t√™m anunciado aplica√ß√Ķes para gest√£o de estoque e log√≠stica, comunica√ß√£o com clientes, meios de pagamento, seguran√ßa etc. Essas iniciativas s√£o ainda localizadas, mas poderiam abranger cadeias de valor por completo.

Outra tecnologia emergente em 2019, embora menos madura, √© a Intelig√™ncia Artificial (IA). Na maioria dos casos, ela est√° em fase de testes e prova de conceito, com a aplica√ß√£o sendo pensada desde chatbots at√© minera√ß√£o de dados para identificar padr√Ķes, comportamentos e outras quest√Ķes afins. Ou seja, j√° temos casos concretos, mas eles est√£o mais restritos aos bastidores. Neste ano, esperamos que a AI chegue ao ‚Äúfront end‚ÄĚ, conversando com consumidores e at√© executando tarefas de m√©dia complexidade.

J√° a tecnologia de realidade virtual e aumentada tem seu espa√ßo garantido com aplica√ß√Ķes muito concentradas em treinamentos, simula√ß√Ķes e jogos. A tecnologia est√° pronta, agora √© hora de explorar suas fun√ß√Ķes para coloc√°-la em pr√°tica, internamente e, principalmente, para os consumidores.

Em um horizonte um pouco mais longo (dois ou tr√™s anos), despontam o blockchain e as impressoras 3D. No primeiro caso, temos muitas ideias e potencial, mas poucos casos pr√°ticos. Os bancos, a √°rea de sa√ļde, os setores do governo e as startups devem ser as pioneiras neste segmento no Brasil, abrindo caminho para uma dissemina√ß√£o mais ampla nos pr√≥ximos anos.

Lembrando que para muitas das aplica√ß√Ķes, como os contratos inteligentes, complexas mudan√ßas regulamentares e legais s√£o necess√°rias, bem como a mudan√ßa de mentalidade do mercado, no sentido de compartilhar mais informa√ß√Ķes, e at√© o controle centralizado de alguns processos. J√° as impressoras 3D esbarram ainda nas quest√Ķes do custo e aplica√ß√Ķes, que v√£o al√©m da simples produ√ß√£o de testes e modelos. Outras aplica√ß√Ķes mais radicais como a impressora de alimentos ainda s√£o uma realidade distante e incerta.

Outro fator que impacta a transforma√ß√£o digital no Brasil em 2019 √© a nova Lei Geral de Prote√ß√£o de Dados (LGPD), promulgada em agosto de 2018, cujas regras entrar√£o em vigor em agosto de A lei prev√™ uma s√©rie de obriga√ß√Ķes em termos de uso, sigilo e guarda de informa√ß√Ķes √†s quais as empresas ter√£o que se adaptar. Na maioria dos casos, mudan√ßas de procedimentos e regras¬† internas ser√£o suficientes para o atendimento das normas. Em outros casos, ser√° necess√°rio o desenvolvimento de novos sistemas, o que abre espa√ßo para neg√≥cios e inova√ß√£o.

Temos apenas que ficar atentos a prov√°veis regulamenta√ß√Ķes da nova lei que devem ocorrer neste ano. Com um cen√°rio pol√≠tico mais definido e indicadores macroecon√īmicos em ascens√£o, a transforma√ß√£o digital no Brasil tende a ganhar mais tra√ß√£o, com a maior disposi√ß√£o das empresas e agentes econ√īmicos em se apropriar desse tema e investir. Para isso, as empresas, independentemente se t√™m ou n√£o alta capacidade de investimentos, devem criar radares para acompanhar o que est√° acontecendo em termos de tecnologia no seu segmento.

E para gerar seus insights, vale também ficar de olho em casos de referência aqui e em outros países, disponibilizados pelos grupos de comunicação, por fornecedores de tecnologia e consultorias.

Outro caminho √© implementar internamente ou participar de programas de acelera√ß√£o de startups, de incuba√ß√£o de empresas de tecnologias relacionadas ao seu business. √Č importante ressaltar que o processo de inova√ß√£o n√£o acontece somente de dentro para fora, √© necess√°rio acompanhar e absorver essa compet√™ncia tamb√©m no sentido contr√°rio.

 

* Alessandro Cosin é CEO da Cosin Consulting Linked by Isobar

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