Pegar o bonde andando tem sido uma constante na vida da Microsoft de uns anos para cá e é mais que sabido que ela perdeu a onda da mobilidade no tocante a estar no topo brigando pela liderança - ou mesmo pelos primeiros lugares - com pesos ultrapesados como Apple, Google e Samsung.
A recente estratégia de juntar forças com a Nokia e lançar uma linha de smartphones com sistema operacional Windows Phone 7 não deu certo - pelo menos até agora - e patina em solo arenoso, enquanto seus concorrentes diretos deslancham e lançam aparelhos e sistemas operacionais cada vez mais sofisticados que caem imediatamente no gosto do público.
Em um novo lançamento morno da empresa foi apresentado ontem, 18/06, em Hollyood, EUA, por Steve Ballmer, presidente da empresa de Seatle em um evento envolto em mistérios e pouca informação, o tablet Microsoft Surface. “O novo Microsoft Surface simboliza software e hardware trabalhando juntos”, disse Steve Ballmer, CEO da Microsoft.
Como assim "...simboliza software e hardware trabalhando juntos”? Sinceramente eu entendi pouco ou não entendi nada dessa declaração. Ballmer fala isso como se fosse a maior inovação do mercado de tecnologia dos últimos anos, dando a falsa impressão que desconhece o iPad da Apple, o Tablet Galaxy da Samsung ou mesmo o Playbook da RIM, fabricante do BlackBerry. Ele está enganado, mal assessorado, completamente fora da realidade do mercado de mobilidade ou quer que acreditemos nisso.
As informações das características do novo tablet ainda são ínfimas e não empolgam: teclado - dois modelos: “multitouch” com trackpad e outro com teclas e trackpad - faz parte da própria capa, que funciona de maneira semelhante à Smart Cover do iPad. A diferença é o teclado incorporado. Porém, se for para ser realista, uma capa semelhante para iPad já existe faz tempo, vendida por fabricantes independentes, alguns autorizados pela Apple, outros não, desde o iPad 1. Conheço vários executivos que utilizam.
O dispositivo para deixar o Microsoft Surface em pé fica incorporado na parte de trás do tablet e vem com apoio próprio, permitindo ao usuário deixá-lo em posição vertical. Steven Sinofsky, presidente da empresa, diz que ele “é um tablet que é um ótimo PC e um PC que é um ótimo tablet”. Frase de efeito sem impacto, além de mostrar o quanto a empresa está perdida no mercado: a impressão que dá é que o simples fato de adicionar um teclado transforma o tablet em um PC. Para arrematar a "inovação" ele ainda vem com uma caneta Stylus. Precisa?
Segundo ainda o anúncio, o MS Surface tem especificações que rivalizam com os melhores ultrabooks já lançados e o chip é fabricado pela Intel. Outra declaração estranha, a meu ver.
Características
Segundo o site do produto, essas são as características (que podem mudar até o lançamento) dos modelos que devem estar disponíveis para venda até o final do ano:
Elas são poucas e faltam algumas importantes:
Wi-Fi... ?; 3G e 4G... ?; Duração da bateria... ?; Preço estimado...?
Apps
Outra coisa que não vi em lugar nenhum, nem no site do produto, foi alguma referência a apps, que são tão importantes quanto o próprio tablet. Procurei pela Web e não achei nada a respeito. Essa é outra dúvida que fica no ar. Vai ter app? Qual o modelo de negócio com os desenvolvedores? Eles já existem? Se sim, quantos são? A Microsoft está em contato com os desenvolvedores de apps para IOS e Android?
Realmente não dá para dizer que foi um lançamento e sim uma amostra de produto.
Enquanto ele não vem, ficamos no aguardo de mais uma promessa da Microsoft e na certeza que ela mostrou ao mercado um produto que ainda está longe de ficar pronto, pois no evento não era possível digitar no telado e o acesso aos programas era bem limitado, segundo informações colhidas em publicações do exterior.