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por Dra. Patícia Peck Pinheiro
Vivemos uma nova realidade de conflitos sociais silenciosos, que ocorrem via multicanais, simultaneamente, com muitas frentes e uma multiplicidade de agentes. Seja para construir uma estratégia militar de Segurança Nacional frente uma "WebWar", seja para implementar um modelo eficiente de combate a fraude eletrônica, não há solução simples, pois a realidade é complexa e o adversário tem muitas faces.
Nos anos 90, Arquilla e Ronsfeld escreveram no livro "The Future of Conflict", que havia um novo tipo de guerra, via redes conectadas, formada por pequenas unidades individuais que na hora do ataque já sabem o que têm que fazer, não precisam de um comando centralizado.
David De Ugarte trouxe esta análise para o âmbito da sociedade civil organizada, e descreveu uma nova forma de conflito, chamada de "Swarming", que "ocorre através de movimentos não organizados, via redes, através de auto-agregação espontânea de participantes, que não requer direção consciente ou um líder distribuir a informação, iniciar o debate, mover a "onda" e ela anda sozinha, vem para as ruas com consequências, de início, imprevisíveis".
Hoje, o ativismo se passa por "empower people", que por sua vez gera o "hacking social", promovendo a ruptura da passividade, mobilizando e criando os "ciberturbes", que é nada mais que o desfecho materializado de um processo de discussão social, uma mobilização que nasce na web e vai para as ruas, onde um indivíduo modifica uma agenda pública.
Agora, imagine um criminoso que tenha conhecimento técnico mínimo e de engenharia social, qual o poder que ele passa a ter quando passa a explorar o que chamamos de "social-phishing", ataques em redes sociais que se espalham de tal forma distribuido, que torna anônimo quem o iniciou, não se consegue identificar onde começou para de fato chegar no criminoso. Enquanto isso, milhares de pessoas se tornam vítimas fáceis deste "efeito-rede".
Como os operadores do Direito, as empresas, as Autoridades podem combater algo assim? Este tipo de ataque inicia com uma proposta indefesa, uma informação que se espalha, se intensifica e se redistribui sozinha, muitas e muitas vezes, em poucos minutos.
O mundo do crime está descobrindo de forma interessante como funciona a "lógica da abundância", estudado por muitos que querem fazer um e-Business, onde o custo próximo de zero gera infinitos consumidores para um bem ou serviço, sendo 1 ou 1 milhão, vale a pena do mesmo jeito (a tal "cauda longa" virou a "cauda longa" do crime também).
O combate deve envolver algumas estratégias listadas abaixo, também utilizadas por profissionais de Relações Públicas ou Assessoria de Imprensa quando querem dinamizar a relação da marca com seus públicos em redes sociais. Ou seja, a área de combate ao crime organizado digital deve usar não apenas recursos de inteligência e contra-inteligência, recursos jurídicos, como também recursos de comunicação (usar das mesmas armas)!
Passos
1º Passo - Documentação - informação exaustiva para prevenção e combate ao crime digital nas redes sociais;
2º. Passo - Discurso - elaborar duas linhas de texto com os motivos pelos quais um usuário deve saber fazer uso seguro das redes sociais;
3º. Definir o destinatário último da ação - que não é a vítima, é o criminoso, ele tem que saber que estamos acabando com os planos dele, que estamos desmascarando o golpe, contando como é e como não cair, esta informação tem que ir até a ponta, tem que se distribuir nas redes sociais e não estar apenas em sites institucionais ou de Internet Banking;
4º. Dar máxima visibilidade - expor os bandidos, ter canal de denúncia;
5º. Monitorar a "onda" - medir os resultados do combate silencioso;
6º. Investigar - toda e qualquer informação que se possa obter;
7º. Colaborar com as autoridades e tomar as medidas legais cabíveis -para pegar os infratores. A "rede" contará onde eles estão.
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