Política e Economia
José Márcio Mendonça
 
Uma conversa (ou guerra?) de surdos

 Em seu programa semanal de rádio, ontem, a presidente Dilma Roussef voltou a seu tema predileto das últimas semanas: atacar os bancos privados por causa ainda das taxas elevadas de juros.  O tom da presidente foi apenas um pouco mais ameno que o do pronunciamento de Primeiro de Maio.

 
Ao mesmo tempo, o Banco do Brasil, na seqüência natural da estratégia oficial de jogar os bancos públicos contra os particulares neste particular, iniciou na segunda-feira mais uma agressiva etapa da redução de suas taxas de empréstimos. Há dias saíram sinais de fumaça do Palácio do Planalto indicando que Dilma estava triste com o BB por ele não seguir a ousadia de Caixa Econômica.
 
Os bancos privados, depois do entrevero da reunião do presidente da Febraban, Murilo Portugal com o ministro Guido Mantega, haviam se recolhido a um providencial silêncio, seguido de medidas limitadas de diminuição das taxas de juros cobradas de seus clientes. A retomada pela presidente do assunto ontem, quando se preparava para uma semana do “tudo pelo social” indica que ela ainda está agastada. É do estilo presidencial.
 
A novidade é que os bancos particulares parecem que resolveram reagir, cansados ao que tudo indica de apanhar calados. O economista-chefe da mesma Febraban de Portugal (desde então de quarentena), se movimentou. Em relatório divulgado ontem, Rubens Sardenberg, disse que o setor não pode garantir o aumento da oferta de crédito, como governo exige, para garantir o aumento de crédito, política oficial para empurrar o PIB preguiçoso momento para cima.
 
No texto, Sardenberg foi irônico: “Alguém já disse que você pode levar um cavalo à beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber”. A reação de um oculto interlocutor de Dilma foi imediata, com ameaça velada: “Você não pode obrigar um cavalo a beber água, mas também ele pode morrer de sede”. 
 
O embate continua. Pode ser apenas um recado verbal ou pode ser que o governo já apresentar novas armas nesta batalha. O governo, o que é cobrado pelos bancos privados, está devendo, desde o meio do ano passado, a regulamentação do Cadastro Positivo, considerado por todos, inclusive por ele mesmo, como essencial para facilitar a queda dos juros. Nunca ficou explicado a razão de tanta demora, pois nada depende mais do Congresso, apenas do Ministério da Fazenda e do Banco Central.
 
Dizia-se semana passada em Brasília que enfim da regulamentação sairá nos próximos dias. Porém, o troco oficial pode ser maior, mais direto. Já circula na capital da República a informação de que o Palácio do Planalto vai mudar as normas da portabilidade bancária para facilitar a troca de banco pelos clientes em busca de oferta de melhores taxas e outras vantagens. Seria a arma para levar correntistas dos particulares para os bancos oficiais e suas taxas mais generosas.
 
O governo tem pressa para deslanchar o crédito e o consumo pois os indícios de que a economia rateia e não toma a velocidade que Dilma quer pipocam de todos os lados. Ontem os dados da locomotiva chamada indústria automobilística trouxeram desalento. As vendas caíram significativamente e os estoques do setor já estão mais altos que no auge da crise de 2008/2009.
 
Como em Brasília não se admite responsabilidade de ninguém por lá, sempre o errado é o outro, alguém (ou alguéns como se diz na gíria) vai ter de pagar o pato.
 
AS ELEIÇÕES NA FRANCA E A EUROPA
 
Que influência a mudança de comando na França pode ter sobre a política econômico da Eurolândia. Acompanhe a análise do jornalista Ricardo Setti em seu blog no site da revista “Veja”:
 
Insistência de François Hollande na necessidade de crescimento faz líderes da União Europeia começarem a mudar o discurso
 
Leia mais: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/insistencia-de-francois-hollande-na-necessidade-de-crescimento-faz-lideres-da-uniao-europeia-comecarem-a-mudar-o-discurso/


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